Escreve que passa: meu futuro não-amoroso e meu suposto egoísmo

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Quando você for mais velha, você vai mudar de ideia.

É o que sempre me dizem quando falo que não quero (ou não pretendo) casar e tampouco ter filhos. Tenho falado isso pela minha vida inteira e ainda assim tem gente que insiste em dizer que tudo vai ser diferente quando eu “crescer”. Aos dezesseis, falei isso pra alguém que rapidamente me cortou: — Quantos anos você tem mesmo?

Dezesseis.

Aos vinte anos, você vai estar casada há três anos e com dois filhos.

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Na sua história, você pode tudo: sobre a cagação de regra na literatura

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Se tem uma coisa que me deixa louca é cagação de regra. Cagação de regra no que eu quero fazer da minha vida, cagação de regra sobre o que eu visto ou deixo de vestir, cagação de regra sobre o que faço ou não com meu útero, cagação de regra sobre o que eu faço ou deixo de fazer entre quatro paredes com alguém, cagação de regra no que eu escrevo…

Cagação de regra em si é algo insuportável de se aturar e muitas vezes quem vem se bancar o fiscal da minha vida eu mando dar uma voltinha com uma passagem só de ida para a Puta que Pariu com direito a visita ao ponto turístico com entrada para a Merda.

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Escreve que passa: sobre escrever o que está em alta

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Eu escrevi um livro de vampiros. Uma trilogia de vampiros, mais precisamente. Escrevi em um tempo de seis meses cada livro, que deveria ter acabado no primeiro, mas resolvi continuar porque eu adorava aquela história e sempre surgiam novas ideias que poderiam deixar a história ainda mais completa. Quando comecei a escrevê-lo, Crepúsculo estava em alta. Brotavam histórias de vampiros do teto, era livro de vampiro para todos os lados e só se encontrava isso nas livrarias. Mas quando terminei de escrever, os anjos estavam em alta, e a moda estava partindo suavemente para as distopias com a chegada de Jogos Vorazes.

Infelizmente (ou felizmente) nunca publiquei esse livro. Ele está empoeirado nos meus arquivos.

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O maior problema dos escritores: a preguiça

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Hoje é dia de dar chicotada em escritores. Não dar chicotada pela história ruim ou mal escrita (dá vontade, mas), ou pelo modo como são grosseiros com os leitores, ou por se acharem os Reis do Português. Mas, sim, pela puta falta de fazer qualquer coisa do livro deles; em outras palavras, a famosa preguiça.

Sim, senhoras e senhores. A preguiça é e não é a melhor amiga do escritor. É e não é seu braço direito. É e não é a sua amante. A preguiça não tem gênero, cor, idade ou preferência. A preguiça é aquela que pega, agarra e vive nas costas de todo mundo e ninguém se importa — até porque preguiça é uma coisa que infelizmente não tem cura.

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Escreve que passa: ritual de ano novo, pular onda e coisa e tal

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Em todos os dias de ano novo, eu costumo ir à praia com meus pais e mais alguns colegas da família. Todos vestidos de branco, vamos para lá faltando alguns minutos para a meia-noite. Bebemos champanhe e, quando dá a hora, assistimos aos fogos até o fim, abraçamos e desejamos um bom novo ano, pulamos ondas, bebemos e vamos para casa contar piadas e histórias até o primeiro resolver dar um tchau e boa noite. Quando chove — o que acontece quase todo ano, religiosamente —, aproveitamos a chuva e rimos da nossa “falta de sorte”. Eu mando mensagem para os amigos, desejando-lhes coisas boas para este ano que está chegando.

Nesta virada, eu fiz diferente. Comecei não usando uma roupa inteiramente branca e com dourado — como meu típico vestido —, e sim, usando mais preto do que branco. Fomos à praia, mas não bebi champanhe, nem cerveja, nem refrigerante; também não pulei ondas para tentar a sorte de que algum pedido meu se realize, e quando choveu, usei guarda-chuva. Peguei asco de chuva. Peguei um temporal no final de semana que está me fazendo tossir meus pulmões. Assisti aos fogos por poucos instantes, mais procurando gente conhecida perto de mim na praia do que interessada nos fogos — afinal, é sempre a mesma coisa: estoura aqui, ali, cores e tudo mais; dessa vez falaram, de brincadeira, que ia ter a cara da Dilma nos fogos, o ano de aniversário da cidade e no fim não teve bosta alguma de diferente. Também não mandei mensagem para os meus amigos, mas não porque eu estava brava com eles ou porque era rebelde, mas sim, porque perdi o carregador do meu celular, o que não é nenhuma novidade.

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Personagens inspirados em pessoas que você conhece: talvez não seja uma boa ideia

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Muitas vezes eu vi autores dizendo que X personagem foi inspirado em alguém que ele conhece: sua amiga, seu amigo, sua mãe, seu irmão, sua ex-namorada — geralmente é aquela que morre na história da maneira mais bruta possível —, e afins. Alguns acham isso o máximo, de criar um personagem totalmente baseado em alguém que você conhece; considera isso como uma homenagem para a pessoa. Mas, ao mesmo tempo em que vejo autores dizendo que isso serve de homenagem, também vejo alguns autores ou até mesmo as pessoas que serviram de fonte de inspiração se sentindo ofendidas.

Eu, particularmente, não sou adepta dessa prática. Tento ao máximo criar meus personagens sem me inspirar em ninguém de verdade — talvez em um ponto ou outro da personalidade ou atitude, mas nunca em pegar tudo da pessoa que conheço, muitas vezes contando até mesmo com a característica.

O problema de você escrever um personagem totalmente inspirado em alguém que você conhece, é, de maneira óbvia, você fazer isso errado.

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Escreve que passa: Dezembro, nostalgia e aceitação

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Dezembro é um mês que costuma me deixar muito nostálgica e me faz pensar em uma série de coisas. Hoje, especificamente, estive pensando nos tempos do colégio e me dei conta que, em partes, eu sentia falta da escola. Das pessoas, dos professores, de acordar cedo para ir à aula e dormir na primeira, de comer pão de queijo, de conversar com os amigos sobre livros no intervalo ou até mesmo durante as aulas e tentar aprender sobre exatas, conjunto de matérias na qual nunca fui realmente bem.

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A idade define o autor?

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Se eu parasse para contar a quantidade de vezes nas quais eu vi comentários como “tenho 13 anos, comecei a escrever um livro, é sobre isso, aquilo e tal” ou “tenho 12 anos, estou escrevendo um livro, etc” e coisas relacionadas, eu acho que não pararia de citar todos ainda hoje. Ou essa semana. Ou esse mês.

O fato é que muitos autores estão começando a escrever seus livros ainda muito novos. Alguns começam com fanfics ou histórias mais suaves, com pouco desenvolvimento e planejamento aos dez, onze anos, e por volta ou depois dos treze e catorze e após adquirir certa bagagem literária, acabam trabalhando em seu primeiro livro, mesmo que por um determinado momento ele seja apenas um rascunho.

A questão é: a pouca idade pode definir o autor e a qualidade do seu livro? O que um autor tão novo deve saber sobre literatura, sobre o que um livro deve ou não ter, pode ou não pode ter, sobre as revisões, edições, publicação? O que um autor com tão pouca idade e sem muitas experiências literárias deve saber sobre a qualidade e a produção de um livro?

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Escrever no ponto de vista do sexo oposto: você pode estar fazendo isso errado

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Eis um fato: não há nada mais fácil do que escrever no ponto de vista de alguém do mesmo sexo que você. Afinal, você sabe pelo o que você passa; quais são os seus tipos de pensamentos; o seu dia a dia; dentre várias outras coisas. Você se conhece e conhece as pessoas do mesmo sexo que você. Conhece o cotidiano de pessoas assim. Logo, escrever um livro em primeira pessoa e no ponto de vista do personagem que o mesmo sexo que você é facílimo. Pelo menos, nunca vi ninguém reclamar até agora por causa disso.

Porém, o que eu mais vejo são autores e — principalmente — autoras pecando quando vão escrever em primeira pessoa e no ponto de vista de um personagem do sexo oposto. Autoras usando linguajar de homens em seus livros para tentar passar um realismo maior. Homens usando pensamentos extremamente femininos para tentar entrar no mundo da mulher. O esforço é evidente na maioria dos casos, mas, da mesma forma, a qualidade dessa tentativa é extremamente baixa.

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Autopublicação: uma conquista ou uma humilhação?

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Eu faço autopublicação. Não que isso seja grande coisa. Não que eu seja exatamente a maior entendedora do assunto. Mas eu faço autopublicação e eu conheço esse mercado e muito bem, a propósito. E, principalmente, conheço quem faz parte dele.

A princípio, os autores que entram na autopublicação, são aqueles que estão cansados de escutarem o frequente “não” de editoras tradicionais, apenas porque o seu livro, supostamente, não segue a linha editorial ou o que a editora está procurando no momento. Mas também temos os outros autores que estão na autopublicação porque não querem depender das editoras para que seus livros sejam, finalmente, publicados.

Porém, o problema não é a intenção do autor, não é o desejo de publicar ou o mercado editorial limitado e extremamente seleto. O problema é a opinião a respeito daquela obra. Ela é boa como o autor diz? Se é tão boa assim, então por que nenhuma editora quis publicá-la? Por que o autor precisou pagar para que a obra fosse publicada?

E então, levantamos a questão polêmica: a autopublicação é uma conquista ou uma humilhação?

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