“Fim” que não é fim: aquele livro que deveria ter terminado lá, mas que você sente que não terminou

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Escrever Demoníaco foi realmente demoníaco para mim. Tanto por ser a primeira coisa que escrevi “sério” e “para valer”, quanto por ser o primeiro livro que finalizei. E também, de quebra, foi o primeiro livro que, além de eu finalizar, eu pensei: ok, ele vai acabar assim mesmo. Não vai ter continuação. Vou deixar o final aberto.

Só que teve continuação. Por mais que não estivesse nos planos, parece que a história não foi contada inteiramente, e logo depois que coloquei o “fim”, já comecei a digitar “parte 2” e escrevendo o que hoje é o segundo volume (ainda não publicado, inclusive). Sem falar que temos um terceiro a caminho também (acho que consegui me lembrar da ideia do terceiro que anotei na nota fiscal e perdi; mas veremos como isso vai ser).

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Meus livros: “Harvard”, a publicação

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Essa ainda foi uma historinha que contei para a minha revisora, a Taimy: no início, Harvard faria parte de uma coletânea de contos sobre o dia dos namorados, onde eu escreveria todas aquelas histórias de romance bonitas, fofas, dramáticas e loucas que eu tinha engavetada, transformando-as em contos e dando espaço para elas sobreviverem no meu mundinho. Mas depois que terminei de escrever Harvard, e minha vida ficou tão bagunçada a ponto de eu não conseguir escrever todas, eu resolvi que Harvard seria um conto solo.

Não só porque eu não tinha conseguindo desenvolver as outras também, mas porque eu havia me apaixonado pela história. Eu tinha um carinho enorme por ela, porque parece que foi uma das coisas mais reais que eu já tinha escrito até então (Muro das Maravilhas ainda não havia sido terminado quando escrevi), tinha personagens com personalidades fortes e, além do mais, era curtinho — o que é um milagre, considerando que costumo escrever até mais do que o normal.

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Meus livros: “Harvard”, tempo de escrita

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Eu me lembro muito bem do dia em que eu resolvi escrever Harvard: mal passava das sete da noite quando resolvi que escrevia um conto para o dia dos namorados. E que era quase oito da noite quando eu tinha boa parte da ideia traçada, e que planejei até perto das nove da noite.

Às nove e meia, eu comecei a escrever.

Vai ser curto, eu dizia para mim mesma. É rapidinho. Não vou demorar. Eu digitava furiosamente, as ideias brotando na minha cabeça, as cenas se formando, os diálogos acontecendo, Niels e Harvard se conhecendo e virando a madrugada para fazer com que Niels criasse jeito e conseguisse reconquistar Cinel.

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Meus livros: “Harvard”, o personagem preferido

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Todo autor tem seu personagem preferido. Eu seria estúpida se não tivesse. Principalmente em Harvard.

Eu tenho aquela velha síndrome de escritores de quase nunca gostarem realmente do seu personagem principal e, quando vão escrever, se apaixonam verdadeiramente é pelo antagonista: aquele cara que não tem quase destaque, que está sempre de escanteio e que acontece de todo mundo gostar mais dele do que o protagonista. Em várias histórias minhas, eu sempre me apaixonei mais pelo antagonista do que pelo protagonista. Em Harvard, acredito que não seria diferente.

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Meus livros: “Harvard”, o processo criativo

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Com os personagens criados, as personalidades montadas e o roteiro traçado, posso dizer que Harvard não foi a coisa mais difícil que já escrevi. Mas foi desafiador.

Eu queria terminar este conto no menor tempo possível — afinal, era só um conto, eu não precisava me estender muito. Então, precisei resolver todo o roteiro no mesmo dia, ou, melhor dizendo, na mesma noite. E ao mesmo tempo em que eu não queria deixar Harvard longo demais, justamente por ser um conto, eu também não queria deixá-lo curto demais.

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Meus livros: “Harvard”, a inspiração

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Minha bagagem com comédias românticas é tão ridiculamente grande, que não sei como ainda não tive um surto por não achar o cara perfeito em uma história como a de algum filme ou livro que li.

Mas um dia chegaremos lá.

A história

A inspiração para escrever Harvard veio rapidamente: eu estava há muito tempo empacada em um livro de drama, e outro sobrenatural, e eu queria escrever algo novo; eu não só queria, mas eu precisava escrever algo novo, se não aí sim eu teria cinco tipos de ataque. Com isso, decidida de que iria escrever esta história, revirei todo o meu “arquivo” mental de comédias românticas, e coloquei meus anos escrevendo chick-lit e meus diários em prática. A ideia era tornar a narrativa leve, fluída e divertida, apesar de ser em terceira pessoa.

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Meus livros: “Harvard”, a ideia

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Eu sempre gostei de comédias românticas, e eu soube a partir do momento que comecei a escrever Harvard, que ela seria uma. A princípio, eu queria escrever um romance, e não um conto, mas a ideia morria diretamente no final e eu não conseguia prolongar isso, por mais que quisesse; e se esse meu conto precisasse morrer como um herói, então assim seria. No final das contas, resolvi montar um livro de vários contos de um mesmo tema (nesse caso, dia dos namorados) e colocar Harvard lá.

Deu que terminei Harvard antes dos outros, e gostei tanto do resultado que não consegui segurar a publicação dele.

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Dicas para permanecer focado na sua história

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Você tem um novo projeto. Passou alguns meses planejando ele, pesquisou bastante e resolveu que era o momento certo para escrever. Você vai lá, escreve, escreve, escreve — deixa de lado aquele botequinho com os amigos no sábado à noite, passa mais tempo em casa do que na rua, escreve até os dedos cansarem e os olhos começarem a pesar e se acostuma a dormir mais tarde do que o normal porque você se sente mais produtivo durante a noite. Aí você cheia no meio da história e, de repente, você não se sente mais empolgado em escrever esta história, porque assistiu a um filme com uma temática totalmente diferente e agora quer escrever algo naquela linha. Aí você perde totalmente o foco na história na qual estava trabalhando.

É uma história que eu estou acostumada a presenciar e até mesmo passar por. Já não consigo mais contar nos dedos todas as vezes em que eu estava super empolgada em escrever algo e de repente eu quero escrever outra coisa, totalmente diferente daquilo e nunca mais consigo me focar. Mas há pouco tempo eu descobri uma fórmula muito legal que me ajuda a me manter focada enquanto eu escrevo e faz com que eu consiga terminar sem me sabotar com outras novas histórias. Veja as dicas para se manter focado enquanto você escreve seu livro:

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Poetizando o que deveria ser simples

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“Mas que belas indumentárias podálicas tu usas! Estarias disposta ao ato do coito?”

Corta pra mim! Você entendeu isso? Sim? Não? Porque eu, de primeira, não entendi. Só depois que isso é apenas uma poetização da famosa cantada “Bonito sapato! Quer transar?”. Aí eu te pergunto: qual a necessidade disso?

Brincadeiras à parte, mas nesse post eu quero falar sobre algo que tenho visto com muita frequência e que tem deixado eu e a vários leitores confusos, zonzos e vesgos: o floreio, a poetização e a “aureliolização” do que deveria ser, nada mais, nada menos, do que simples.

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Na sua história, você pode tudo: sobre a cagação de regra na literatura

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Se tem uma coisa que me deixa louca é cagação de regra. Cagação de regra no que eu quero fazer da minha vida, cagação de regra sobre o que eu visto ou deixo de vestir, cagação de regra sobre o que faço ou não com meu útero, cagação de regra sobre o que eu faço ou deixo de fazer entre quatro paredes com alguém, cagação de regra no que eu escrevo…

Cagação de regra em si é algo insuportável de se aturar e muitas vezes quem vem se bancar o fiscal da minha vida eu mando dar uma voltinha com uma passagem só de ida para a Puta que Pariu com direito a visita ao ponto turístico com entrada para a Merda.

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