Resenha: Cidade das Almas Perdidas, de Cassandra Clare

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Finalmente consegui ler esse livro. Depois de alguns anos na sofrência por não conseguir comprá-lo nunca (por mais que eu tenha lido os livros anteriores no PDF, ler agora em PDF parecia injusto ou imoral para mim), depois de uma ligeira fila de leitura, finalmente consegui colocar as mãos nele e consegui lê-lo.

Bom, eu jurei que não iria fazer resenhas de livros que pertencem a séries, pois a possibilidade de rolar um spoiler louco é sempre muito alta, e que eu faria resenhas englobando a série inteira. Mas Os Instrumentos Mortais certamente será uma série que irá fugir à regra — pelo menos do penúltimo livro em diante, já que não estou com saco para resenhar os outros.

Sinopse

Quando Jace e Clary voltam a se encontrar, Clary fica horrorizada ao descobrir que a magia do demônio Lilith ligou Jace ao perverso Sebastian, e que Jace tornou-se um servo do mal. A Clave decide destruir Sebastian, mas não há nenhuma maneira de matar um sem destruir o outro. Mas Clary e seus amigos irão tentar mesmo assim. Ela está disposta a fazer qualquer coisa para salvar Jace, mas ela pode ainda confiar nele? Ou ele está realmente perdido?

Neste volume de Os Instrumentos Mortais, Clary novamente se vê impossibilitada de curtir um pouco de paz com Jace após todos os empecilhos que passaram por todo esse tempo juntos. Jace desapareceu, assim como Sebastian, e apesar da busca incessante em cima deles, ninguém consegue chegar a resultado algum. Os dois parecem ter desaparecido da face da terra, ninguém consegue rastreá-los e para quase todos a chance de que Jace possa estar morto é consideravelmente grande. Mas Clary se recusa a acreditar nisso.

Sendo surpreendida com uma visita inesperada de Jace em meio a uma tarefa que ela precisava realizar, ela percebe que Jace não está sozinho: ele está acompanhado de Sebastian, e que os dois parecem ser verdadeiros amigos ao invés de se odiarem ardentemente como costumava ser antes. Nesse meio tempo, é descoberto que Sebastian e Jace têm uma ligação — uma ligação de origem demoníaca, que faz com que Jace siga todos os passos de Sebastian como um fiel seguidor, e que não existe nenhuma arma ou feitiço no mundo que possa cortar essa ligação entre os dois sem que acabe os matando.

Posteriormente, Clary é novamente surpreendida com uma visita de Jace à sua casa, no meio da noite, convidando-a para se juntar a eles, com promessas de que Sebastian pretende fazer o que é certo. Vendo que esta é a única maneira de conseguir saber o que Sebastian está realmente tramando, e também de tentar descobrir como ela pode quebrar a ligação entre Jace e Sebastian, Clary se prontifica a se aliar o irmão, se passando por confiável ao seus olhos e se jogando de cabeça em um perigo iminente.

Olha, eu acabei de terminar de ler esse livro faz alguns minutos e eu ainda estou embasbacada. Eu posso escrever centenas de textos de chororô no Facebook, mil e uma resenhas, escrever dezenas de livros e eu nunca, nunca, vou conseguir digerir a ideia de que Cassandra Clare sabe realmente como amarrar as tramas de uma história. Vou ter escrito milhares de livros, mas nunca vou conseguir amarrar as pontas das minhas histórias como ela consegue e que ainda deixe os leitores na sofrência — exatamente como eu estou agora.

Confesso que a leitura no começo é arrastada, mas é algo que já se tornou bem habitual para os seus livros. Ela parece hesitar um pouco antes de se jogar de cabeça na trama de verdade, como se estivesse preparando o terreno — brincando com a comida, por assim dizer. Mas a partir do momento em que ela engata a marcha de verdade, a história segue diretamente na quarta.

A história é perfeitamente bem conectada e amarrada, e ao mesmo tempo também é sofrida. Eu passei quase o livro inteiro agoniada e frustrada, porque quando pensamos que algo vai se resolver e pelo menos UMA coisa ficar no “tá tudo bem agora”, Clare aparece na sua frente, tira o livro da sua mão e bate com ele na sua cara pra você tomar vergonha e aceitar os fatos de que: ela não vai dar moleza. Com os livros dela, aprendemos perfeitamente que se está ruim, pode e vai piorar. Nunca vai ficar só por isso mesmo. Ao mesmo tempo em que ela te dá muitos momentos bonitos entre os nossos personagens preferidos, ela também te dá muitos momentos em que você quer simplesmente entrar na história e falar “PARA. DEU. CABÔ. CHEGA VOCÊS TUDO. SEUS MERDA. QUE TAL TODO MUNDO VIRAR AMIGUINHO? VIREM AMIGUINHOS”.

O final, principalmente, me deixou enlouquecida. Quando pensamos que pelo menos uma coisa vai ficar tranquilo e que podemos ir para o próximo livro sem desespero, ela te surpreende novamente, amarrando novamente uma ponta que havia ficado solta e que passou despercebida na leitura. É claro que uma ação não ficaria sem uma reação dez vezes pior. É claro que ela não deixaria a gente terminar um livro sorrindo. É idiotice demais pensar que vamos terminar um livro da saga com um sorriso de orelha a orelha.

Não sei mais o que eu posso dizer sobre essa saga, ou sobre esse livro em especial, só sei que estou frustrada e ao mesmo tempo contente em poder gostar dos livros de uma autora que sabe amarrar bem as suas histórias e mostrar que nem tudo são flores. Um brinde à Cassandra Clare, que é a nova participante do grupo Anti-Sparks, que conta inclusive com a presença do ilustre George R. R. Martin.

Congrats, Clare.

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