Editora vs. Gráfica: qual é a ideal?

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Quando alguns autores optam por publicar seu livro de maneira independente, a maior — e mais comum — questão que surge é: publicar por editora ou por uma gráfica?

É uma dúvida que surge muito facilmente tanto em questão de comodidade — a gráfica às vezes pode ser na esquina da sua rua, enquanto a editora pode ser a três dias de viagem de onde você mora — quanto em questão de “financeiro”. A gráfica às vezes pode ser mais barata que a editora, ou vice-versa.

Neste artigo, vou expor alguns pontos que existem grandes diferenças entre as duas e ajudar você a ver qual das duas é melhor para a sua publicação, focando nas editoras que cobram para publicar.

Profissionalização do seu livro

Este é um dos pontos mais importantes na hora de publicar o seu livro. É fato que um livro com uma arte de capa bem feita, diagramação bonita e revisão impecável é muito mais atraente do que um livro em que o nome do autor está na margem da capa, a diagramação quase não mostra margens e está com a fonte em Verdana, e que tem um “seje menas” no meio do texto. Então, você deve, sem sombras de dúvidas, profissionalizar o seu livro se quiser que ele venda bem.

A editora, nesse caso, se encarrega de tudo — apesar de cobrar os serviços de você, na maioria das vezes. Mas ao invés de você sair batendo de porta em porta em revisores, diagramadores, capistas e bibliotecários e sites especializados para registrar seu livro, a editora é quem cuida disso para você. A editora já tem um revisor próprio — às vezes freela —, assim como capista, diagramador, já tem toda a documentação preparada para o registro; você não precisa se preocupar com nada. É uma grande comodidade para você.

Já a gráfica tem apenas um serviço: o da impressão. Uma gráfica ou outra fazem os trabalhos de design, mas nenhuma delas costuma fazer o registro do seu livro ou até mesmo revisão, que são tão importantes quanto. Se você quer publicar o seu livro de uma maneira decente, você terá que ir atrás de capistas, diagramadores, revisores, e tudo mais o que seu livro precisar para que fique com uma boa editoração e boa aparência; tudo em um nível suficientemente alto para que, mesmo autopublicado, você se destaque entre os livros publicados tradicionalmente.

Custo benefício

Os valores de publicações é o que fazem com que os autores muitas vezes fiquem em dúvida entre um e outro. Por um lado, você já tem uma equipe inteira formada para editar e profissionalizar seu livro; por outro, você também tem o dinheiro para pagar uma editora que faça isso. Mas às vezes é a questão dos valores da impressão ou a comparação de valores de edição + impressão + benefícios que fazem o autor ficar com as pernas bambas na hora de se decidir.

A editora dificilmente faz tudo sozinha. Ela sempre — ou quase sempre — paga terceiros para realizar alguns serviços. A impressão também é geralmente feita com terceiros, são raras as editoras que têm produção própria. Então, o custo, costumeiramente, vai lá para cima. Aquela revisão que com um freela que você conheceu, que te cobraria mil reais, a editora vai te cobrar dois mil, porque ela também precisa ter o lucro dela; ela vai pagar o freela e ficar com o que restar. Com a impressão, é a mesma coisa: na gráfica, seu livro pode sair por R$10 a unidade se comprar em uma tiragem de cinquenta unidades, mas a editora já vai te cobrar R$15, porque eles também precisam do lucro deles, mesmo que a tiragem seja maior do que a que você estava pesquisando na gráfica. Apesar dos valores mais altos, tudo estará centrado em apenas um lugar, e você pode sempre cobrar da editora por algum erro. Seu livro também ganhará o selo da editora, o que geralmente dá mais credibilidade para o autor em uma prateleira de livraria. Um livro sem um selo de publicação sempre faz com que os leitores se questionem sobre a qualidade do livro, justamente por nenhuma editora ter publicado ele.

Já publicando com a gráfica, tudo pode sair mais barato — mas certamente será mais trabalhoso. Você precisará encontrar todos os profissionais para editarem seu livro, isto é: correr atrás de indicações de revisores, às vezes pagar mais caro do que pagaria em uma editora (os valores da editora, pago aos freelancers, muitas vezes são consideravelmente baixos),  outros profissionais e tudo mais. Em contrapartida, o custo da impressão muitas vezes sai muito mais barato do que imprimir com editora, que quer também ter os lucros dela ao imprimir e vender o livro para você. A gráfica cobrará apenas a mão de obra e os custos da impressão, possivelmente frete, e nada mais que isso. No livro que você pagou R$15 a unidade em uma tiragem de cem exemplares, na gráfica ele pode sair por R$10 ou R$9, quem sabe ainda muito menos.

A chance de opinar

Um dos pontos que provavelmente faz você, autor independente, optar pela publicação independente, é a chance de poder fazer a edição do livro do seu jeito: de ter a chance de opinar.

Algumas editoras, mesmo que sob demanda, mesmo que você esteja pagando e dizendo “quem manda nessa porra aqui sou eu”, se recusam a acatar algumas de suas ideias para capa, diagramação ou estratégia de marketing. Isso porque o seu livro agora também é responsabilidade da editora, ele também faz parte da imagem dela, e entregar o trabalho em que a editora certamente não coloca tanta fé de que vai ficar bom pode ficar feio para eles e queimar a imagem. A Novo Século, em contrapartida, com seu selo de autopublicação caríssimo, é famosa por entregar trabalhos malfeitos, nos quais os autores ficam queimados e agora o selo também ficou. Revisões meia-boca, capas feitas no Paint são apenas o começo. Então, nada mais justo do que a editora, já que está te ajudando a entrar no mercado e dando credibilidade e confiando no SEU trabalho como escritor, escolher alguns pontos importantes sobre o livro. É claro, você é o escritor, você conhece a sua história e deve ter o direito de opinar. Mas a editora está no seu total direito de fazer o que quiser também, infelizmente.

Já a gráfica roda o seu livro do jeito que você quiser. Se quiser a Inês Brasil na capa, eles vão rodar. A gráfica só está lá para cobrar imagens em alta qualidade, com marcas de sangria e corte, ajustes de lombada e mandar imprimir. Para ser sincera, eles não ligam muito para a qualidade editorial da obra, eles só querem fazer o trabalho deles e deixar você contente. Se um livro está quase sem margens na diagramação, o problema muitas vezes não é deles; afinal, foi você quem contratou alguém para fazer isso e mandou rodar assim. Nessas questões, a gráfica é pau mandado: você manda, ela faz calada e te entrega sorrindo. Agora, se tem erros, se tem algo mal feito, não se tratando na qualidade de impressão (tinta fraca, capa com problema físico, folhas amassadas ou em branco), a responsabilidade é totalmente sua.

Distribuição, venda e marketing

Essa é a parte que certamente mais interessa os autores. Afinal, de que adianta gastar horrores para publicar um livro que não sai da sua casa, ou que simplesmente não é vendido?

Como o seu livro publicado agora faz parte da editora, e ela também gastou um dinheiro para editá-lo profissionalmente e publicá-lo, ela também precisará vender. Ela fará a distribuição em livrarias parceiras — desde pequenas até grandes livrarias e e-commerces —, cuidará das vendas e, se apostarem com tudo, farão um marketing pesado em cima do seu livro para que ele saia das prateleiras e vá para estantes aconchegantes em lares de leitores. Em questão de distribuição, venda e marketing, com uma editora você certamente não precisará se preocupar, pois tirar os livros do teto deles e fazê-los serem vendidos, também é do interesse deles.

Já a gráfica, na maioria das vezes, não faz isso. Como citei várias vezes antes: ela apenas imprime e apenas garante uma qualidade de impressão do seu livro. Algumas gráficas online têm livrarias online — como a Letras e Versos, que tem uma loja virtual para os autores que já imprimiram com eles —, mas geralmente o valor fica em uma boa facada para o leitor. Para distribuir, vender e divulgar seu livro, você precisará fazer isso por conta própria. Contatar livrarias menores, que possivelmente aceitem livros em pequenas quantidades, procurar por alguma agência de publicidade e propaganda, vender seu livro em eventos locais ou fora do estado; ou seja, tudo por conta própria. Você é o responsável por tudo. Se não vender, é porque você aparentemente não se esforçou para fazer acontecer. Se ele não sai de casa, é porque você não está correndo atrás o suficiente, a sua publicidade não está muito boa, ou seu público simplesmente não está apenas na sua cidade ou na internet.

Acredito, pessoal, que as comparações sejam estas. E aí, o que acharam?

Boa escrita para você!

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