Literatura boa e literatura ruim

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Você pode ver: em qualquer grupo de escrita, de leitores, ou qualquer outra atividade relacionada, os integrantes sempre batem na tecla do que é literatura boa ou literatura ruim. Até mesmo na minha aula de Literatura Portuguesa eu fui questionada se existe literatura boa e literatura ruim, e quais exemplos eu poderia dar sobre isso.

Bom, migos, eu vou deixar minha opinião sobre a existência de literatura boa e literatura ruim. Ela é curta, eu acredito, e bem simples, e acho que algumas pessoas antes de saírem se matando por causa disso, devessem parar de pensar por esse ladinho simples:

Não existe literatura boa. Também não existe literatura ruim.

Existe literatura, e só.

Acredito que não seja possível que uma determinada obra seja classificada como literatura boa ou ruim apenas porque é um Zé disse X coisas sobre a obra e porque ele tem graduação, mestrado e doutorado no diabo a quatro. Ele pode ser o cara bem mais informado do mundo sobre a literatura, mas isso não significa que ele tem autoridade sobre o que é bom ou ruim no mundo literário.

Acho que o maior problema não é classificar que tipo de literatura é aquele livro, mas de colocar a sua opinião pessoal sobre ele para classificar qualquer coisa sobre ele. Por exemplo, em uma resenha você dá a sua opinião e diz o que acha sobre o livro, vê-lo por todos os pontos que ele mostra, e indicar para qual público ele é mais direcionado e por quê. Algumas pessoas podem concordar com você, mas isso não te torna autoridade do assunto.

Então, me perguntaram por que eu achava que não existia literatura boa ou ruim. Eu respondi:

Literatura é literatura, por mais óbvio e ridículo que isso possa soar. Dizer se é boa ou ruim é uma questão muito subjetiva, o que é bem óbvio. Não é só porque todas as garotas da minha idade gostaram de, por exemplo, 50 tons de Cinza, que eu necessariamente vou gostar; eu odiei. Eu classifico, na minha listinha, como um livro ruim, mas não necessariamente considero uma literatura ruim.

O motivo é que, por mais que este seja um livro ruim, este livro incentivou outras pessoas que, muitas vezes, quase nunca tinham contato com um livro ou se empenhavam em ler algo maior que uma coluna de fofoca de uma revista ou uma matéria sobre dietas milagrosas. Este livro fez com que as pessoas consumissem mais livros, mais literatura — mais cultura.

E para um país que é considerado um dos que menos lê no mundo — apesar de algumas bienais comprovarem o contrário —, acho que o consumo de cultura, mais especificamente literatura, ter aumentado nos últimos tempos por causa de livros como 50 Tons de Cinza, Harry Potter, A Culpa é das Estrelas e seus semelhantes bestsellers, é algo significativamente bom. Isso significa que o brasileiro está lendo mais, está consumindo mais cultura — apesar de que, na minha opinião, 50 Tons de Cinza por exemplo não seja algo que eu considero bom ou que agregue. Mas se está fazendo com que aquela minha vizinha chata que só assiste novela mexicana ler alguma coisa além de revistas sobre emagrecer, procurar mais livros e consumir mais livros, já é alguma coisa.

Uma literatura ruim também não é um livro que não agregue em nada na sua vida; por exemplo, já ouvi uma penca de comentários sobre: No que Harry Potter agregou na sua vida? O que você aprendeu com este livro? Ele é só uma história de um bruxinho. Não tem nada de valor para ser tirado daí.

Migos, deixa eu contar uma novidade aí para vocês: os livros não precisam, necessariamente, passar uma grande lição de vida, fazer com que você reflita sobre a existência do ser humano, repense sua vida e veja que você é um bosta e que precisa mudar tudo. Não, caras. O livro não tem obrigação nenhuma de ser seu terapeuta, a luz no final do seu túnel — mas quando ele acaba sendo, é uma experiência ótima, de verdade. Mas ele não precisa ser. O livro não tem obrigação nenhuma de ser tuas nega, migos. Se um livro te atraiu atenção o suficiente para você comprá-lo, lê-lo e gastar algumas horas se divertindo com a leitura, aperfeiçoando seu vocabulário ou conhecendo novas histórias, ele já fez o trabalho dele. Ele não precisa fazer mais nada além disso; o que vem além é um bônus.

Eu vejo tanta gente — principalmente tanto escritor — reclamando sobre ter apenas literatura ruim fazendo sucesso que às vezes fico até zonza. Mas vocês já pararam para pensar nisso tudo? Que a suposta literatura ruim pode estar abrindo portas para mais leitores, leitores que amanhã podem se interessar pelo seu livro, gostarem e virarem seus fãs? E aí? Vão mandar aquele leitor que leu A Culpa é das Estrelas, e outras obras do Green antes de ler o seu livro, “ler algo que preste”? E se amanhã eles lerem o seu livro? E se amanhã o seu livro fizer um sucesso tão grande, que ele se tornará o novo “literatura ruim”? Vai continuar achando os leitores da literatura ruim? Não, né? Agora eles são seus preferidos.

Julguem menos e trabalhem mais, migos. O leitor da “literatura ruim”, como vocês insistem em dizer que existe, amanhã pode ser o seu leitor. E continuar ofendendo-os assim não tá legal. Para que tá feio.

Bio Gabs

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Um comentário sobre “Literatura boa e literatura ruim

  1. Também acho que literatura ruim ou boa é questão de opinião. O que é um tanto errôneo é encaixar esses livros mainstream infanto-juvenil – e de faixas etárias mais altas também, como 50 Tons Cinza – num grupo e chamar aquilo de ruim. Aquele velho preconceito com coisa modinha que se espalha não só na literatura como em outras vertentes.

    Mas o verdadeiro problema é dizer o que é literatura e o que não é. Aí o negócio fica feio…

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