Resenha: Cem Escovadas Antes de Ir Para a Cama, de Melissa Panarello

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Por muito tempo ouvi falar sobre esse livrinho em que a autora relatava suas próprias experiências sexuais na adolescência, e que havia até mesmo acontecido uma polêmica sobre isso, incluindo até o fato de ser mentira, que ela contava isso apenas por ibope ou coisa do tipo. De qualquer forma, o tanto que me falaram desse livro fizeram com que eu me interessasse. Tentei ler pela internet (porém, pdf não é meu favorito), tentei comprar, mas nunca conseguia. Ironicamente, encontrei-o em um sebo do lado do meu novo apartamento por um valor simbólico de dez reais. Levei? Levei. Claro. E aqui estou eu pra essa resenha.

Sinopse

No inverno europeu de 2002, longe dos olhos da mãe e do pai, a jovem italiana Melissa Panarello começou a escrever um diário em que relatava, sem pudores e meias palavras, as precoces e variadas experiências sexuais vividas por uma colegial entre os 15 e os 16 anos. A história de Melissa começa quando ela perde a virgindade aos 15 anos de idade. A descoberta de um mundo novo e diferente, o desejo de amar e se sentir amada e a ilusão de encontrar este sentimento através do sexo. É esse o ponto de partida para um relato que mistura de forma provocadora ficção e realidade, num vasto e surpreendente rito de iniciação sexual. Durante dois anos a protagonista do livro experimenta as mais diferentes práticas sexuais, como se desejasse, através delas, transcender o corpo. Sexo grupal com desconhecidos, orgias regadas a drogas, sadomasoquismo, homossexualismo: nada detém sua curiosidade, mas seu prazer é tingido de repulsa e insegurança. Em sua busca desenfreada, Melissa acaba caindo em um túnel escuro de humilhação e dor, onde se arrisca a perder para sempre aquilo que tem de mais precioso: ela mesma. Antes de dormir, Melissa escova cem vezes os longos cabelos, num ritual de purificação quase infantil que constitui, para o leitor, o único lembrete de que se trata, afinal, de uma menina. Um dos motivos que transformaram Cem Escovadas Antes de Ir para a Cama em sensação literária foi a tênue fronteira entre autora e personagem. Além de compartilhar com sua protagonista o nome, Melissa, a jovem autora afirma ter vivido todas as experiências narradas, trocando apenas nomes e datas. Características que fazem de seu relato uma visão da adolescência em um país onde o sexo ainda é cercado de tabus, e um retrato revelador da sexualidade neste começo do século 21.

A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre esse livro é: 50 tons de cinza de cu é rola.

Tudo bem que são obras totalmente diferentes, talvez até mesmo com objetivos diferentes. Mas o tanto que estão falando sobre esse maldito livro da James, sobre ser uma “revolução sexual através da literatura” e o diabo, enquanto eu lia Cem Escovadas, mais eu via que as pessoas estavam erradas e que elas na verdade não sabiam bosta alguma de literatura e que deviam engolir Cem Escovadas pelo rabo. Não sou fã da literatura erótica — pelo menos não tinha encontrado nenhuma atrativa antes. Mas Cem Escovadas Antes de ir para a Cama me surpreendeu. Não só pela história, mas pelo realismo que nela existe.

Panarello nos apresenta Melissa — ironicamente ou propositalmente com o mesmo nome da autora —, uma personagem jovem, boba e inocente, que se deleita em “curtir o próprio corpo”, para não tornar essa resenha baixa demais em palavreado. Ela sonha em “fazer amor”, em ser amada, abraçada, mimada e o diabo: tudo o que garotinhas novinhas e inocentes querem, o amor. Ao se ver apaixonada por Daniele, um rapaz desprezível e que obviamente só quer transar com ela, Melissa não pensa duas vezes em se entregar para ele, estando completamente carente de atenção, amor e curiosíssima a respeito do sexo. Após o seu primeiro “peixe bola gato” em Daniele, sua terrível primeira vez com ele e as ofensas que ele lhe despejou após, Melissa resolve que aprenderia a amar. Não amar, no sentido romântico. Mas amar no sentido de saber chupar e foder alguém, para provar a Daniele que ela sabia o que estava fazendo, e que ele se arrependeria de tê-la largado e ofendido como fez.

É nessa vibe aí mesmo, migas.

Melissa nos apresenta o sexo de tantas formas que ficamos até zonzos. Ao mesmo tempo em que ela se torna uma perfeita ninfeta, em seu diário, onde ela narra os acontecimentos do dia a dia (com quem fodeu, quem quer foder, com quem ela deixou de foder e por que deixou de foder), Melissa se mostra uma garota completamente carente e que sua busca se resume a uma única coisa: a chance de ser amada verdadeiramente. Não pelo o que ela oferece (o sexo, no caso), mas por ela merecer, por ela precisar ser amada. Acima de tudo, de todas as etiquetas que ela tem, de todas as suas experiências, Melissa ainda é uma menina que precisa de amor, carinho e atenção.

Inclusive, vi uma penca de comentários negativos sobre a atitude de Melissa, sobre querer ser amada de verdade e pular de cama em cama. Mas acho que algumas pessoas não compreenderam que o fato é que, por ela não saber “fazer amor” direito, ela acreditava que ninguém iria amar ela; exatamente o que aconteceu entre ela e Daniele. Ela está em busca do príncipe encantado e acha que se entregar de corpo ela vai conseguir ser amada como quer. Acredito que algumas pessoas não conseguiram interpretar isso direito ou enxergar isso durante o livro.

Eu acho que não tenho palavras para descrever o quanto eu achei esse livro incrível. Panarello soube mesclar muito bem a cabeça de uma garota experiente, louca por sexo e amor, junto com a cabeça de uma menina inocente e carente, que no fundo, é o que a querida protagonista é. Também devo dizer que Melissa é muito parecida conosco. Virgem ou não, experiente ou não, Melissa mostra o perfeito lado de quem já correu atrás de alguém, quem já quis ou mudou por causa de uma pessoa e fez coisas que não gostaria. Nesse ponto, de querer mudar, ou de realmente mudar para agradar alguém e me desfazer toda por seus caprichos, eu me encontrei muito com ela, com uma Gabriella de muito tempo atrás; e também sei que ainda existem muitas Melissas por aí. Acho que toda pessoa tem uma Melissa dentro de si, pequena ou grande.

A lição que esse livro passa — milagrosamente, já que ultimamente tem sido complicado encontrar um livro que ensine alguma coisa para a gente — é de que o amor próprio é essencial. Você precisa se amar antes de qualquer coisa; e só então, o que vem depois é o que importa. Melissa precisou de humilhar, se entregar de todas as formas, fazer tudo o que esteve o seu alcance para aprender isso. Nisso, muitas de nós não somos diferentes dela.

Posso dizer que super recomendo a leitura desse livro. Achei incrível, e está na minha listinha de favoritos desse ano.

E aí, o que achou?

Boa leitura para você!

Bio

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