Porque você deve pesquisar muito antes de escrever seu livro

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Você já pegou aquele livro que, apesar de ter uma boa premissa, um enredo interessante, a narrativa dele está cheia de falhas? Há furos no enredo, no cenário — trabalhado em um lugar já existente —, nos costumes, até mesmo nos personagens. A construção dele está uma bagunça. As informações das cidade não batem, a história está confusa e parece que o autor faltou algumas aulas de história, geografia e biologia. Ou todas. Vai saber, talvez ele nunca tenha comparecido a nenhuma dessas aulas.

Isso acontece quando o autor começa a escrever o livro sem ter uma base de pesquisa antes; sem ter visto como era o cenário onde ele adaptaria a história, sem ter visto o tipo de vida animal na qual ele irá mostrar bastante presença (sejam reais ou mitológicos), dentre outros fatores que mostram que a construção da história está um verdadeiro caos e totalmente fora da realidade.

Para que você não passe por isso, é necessário que você siga os seguintes pontos:

Nunca, em hipótese alguma, comece a escrever seu livro pra valer logo de primeira. Fazer rascunhos? Pode. Escrever trechos? Pode. Escrever o prólogo, primeiro capítulo e cenas aleatórias do livro? Deve, até. Mas nunca comece a escrever o seu livro, pra valer, de verdade, como se fosse o projeto final dele antes de começar a pesquisar sobre ele. Se você vai trabalhar em um mundo, fictício ou não, você vai precisar pesquisar sobre as origens históricas dele; sobre o cenário onde ele será trabalhado; sobre os seres vivos que nele habitam, se for o caso de uma fantasia em outro mundo. Nunca comece a escrever para valer antes de ter todos os pontos esclarecidos. A inspiração é maravilhosa e às vezes muito rara; não a desperdice, é claro. Mas também não use ela completamente em uma história que você começou agora e que nem sabe que rumo tomar inicialmente e que ainda é seu primeiro rascunho.

A internet é sua melhor amiga anti-gafes. Na internet, você pode ter todas as informações que precisar. Se como cenário, você está usando uma cidade já existente, mas que nunca visitou, com a internet você pode pesquisar sobre a localização exata dela; sobre a quantidade de habitantes; sobre os costumes. O mesmo vale para criaturas mágicas, caso esteja trabalhando em um fantástico. Pesquise a origem de todas, as características, os pontos fracos, os pontos fortes, veja o que pode ser aproveitado e o que você deve saber sem que cometa uma gafe — como certo escritor disse, em sua história de fantasia, que anões não poderiam trabalhar em minas porque eram fracos demais. Oi? Paradigmas estão aí para serem usados e cada ser mitológico tem o seu; e além do mais, ao menos que seu anão seja de outro mundo onde ele não é forte ou não corresponde aos anões de fantasia que conhecemos, escrever isso é querer levar um soco na cara de quem é amante de uma boa fantasia épica e coerente.

Procure referências em filmes e livros. Não tem coisa melhor do que tirar um dia para ler livros ou assistir filmes que falam sobre aquilo que você está escrevendo. Além de servirem como uma referência para construção de seres, enredo e cenário, também podem te inspirar ainda mais para desenvolver ainda mais a sua história, te ajudando a deixar sua trama mais complexa/completa e com um quebra-cabeça infalível. Se está escrevendo um épico, assista Game of Thrones ou Senhor dos Anéis; se está escrevendo algo com muita investigação, jogue-se em Sherlock Holmes e filmes policiais/mistério antigos. E por aí vai.

Faça do dicionário seu livro de cabeceira, ou sua homepage da internet. Existe uma penca de sites de dicionários onlines, assim como qualquer livraria hoje em dia vende um dicionário — em algumas vezes até em preço de banana. Procure sempre pesquisar alguma palavra ou buscar por sinônimos para que sua narrativa tenha as palavras adequadas à história e que a frase faça sentido corretamente. Afinal, não ia combinar em nada ter um medieval, onde é necessário que seja usada uma narrativa mais formal, encontrarmos um “caraca moleque”. Tome também muito cuidado com pleonasmos, redundâncias, regências. Pesquise sobre as regras da nova ortografia e regras de gramática. Isso pode te ajudar, e muito.

Conheça bem o assunto no qual você está escrevendo sobre. Isso se enquadra, novamente, na questão da pesquisa, porque muitas vezes o que você quer escrever sobre, você tem pouco conhecimento. Essa dica passou pela minha cabeça quando meu beta, que está me ajudando a reescrever Demoníaco, me perguntou de onde eu tinha referências sobre serial killers e me sugeriu algumas leituras e filmes do tema, que me mostraram que o negócio funciona totalmente diferente do que eu imaginava. Muitas vezes, na escrita, podemos achar que dominamos um assunto X porque já vimos filmes o suficiente sobre isso, mas só filmes, seriados e livrinhos de banca não são o suficiente para construir uma história com um enredo genioso e completo. Procure pesquisar muito a fundo do assunto que você está abordando, seja mitologia grega, serial killer, demônios, dentre outros. Caso contrário, sua história pode parecer sem pé nem cabeça com o que o resto do mundo conhece e até mesmo surreal demais para que os leitores possam imaginar isso realmente acontecendo e entrar com tudo na sua história, e ainda considerá-la fraca ou “sem noção”.

Veja sua história por outro ângulo. Esse ponto ajuda muito no amadurecimento de uma obra. Se você está visando a tal Jornada do Herói, onde ele será sempre o cara que se dá bem, apesar de empecilhos, tente ver a história por outro lado: e se, ao invés de ele conseguir a coisa X, ele não conseguisse? E se acontecer Y coisa com ele, ao invés da Z? E se N coisas dessem errado? Veja sempre o lado bom e ruim da situação que você está colocando no seu livro, busque ver certos pontos da história por outro ângulo e veja se é viável e se tornará ela ainda mais interessante. E tente ser o mais desapegado da sua história possível. A história pode ser boa, mas se você colocar algo que ninguém espera — e que nem você esperava que fosse acontecer —, pode ser ainda melhor. No começo, pode ser difícil também dar continuidade à história caso você coloque um acontecimento inverso do que você desejava, mas, se você tiver leitores betas, eles podem te ajudar a continuar; afinal, eles também estão vendo a história por outro ângulo que você e podem encontrar maneiras de te ajudar a sair do beco sem saída.

Então, concluindo: pesquise e rascunhe muito a sua história antes de começar a escrevê-la para valer. A pesquisa, inclusive, é essencial para a construção de um bom enredo, no qual o leitor pare e pense: caramba, o autor pensou em tudo; e não um: mas que droga é esta que ele está fazendo? Busque pesquisar e rascunhar muito de sua história antes de começá-la para valer, para que ela chegue ao final como um produto pronto para ser publicado, e não apenas mais um projeto de gaveta. É errando, fazendo merda, apagando, reescrevendo, apagando de novo e escrevendo a merda toda de novo que se aprende a escrever bem e a ser ainda mais produtivo. Cortar, mudar, adicionar, tacar fogo, são apenas coisas que fazem parte do caminho até um livro bem escrito e de sucesso.

Boa escrita para você!

Bio Gabs

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3 comentários sobre “Porque você deve pesquisar muito antes de escrever seu livro

  1. Nem terminei de ler a postagem e corri para pesquisar. rs Pesquisei por seis meses para escrever somente as duas primeiras páginas do livro em que estou trabalhando. Escrever sobre ditadura tendo nascido nos anos noventa não é muito fácil.

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  2. Vim a esse blog por indicação e achei muito bacana.

    Ótimas dicas, embora a relação de pesquisa/escrita dependa do projeto. Não sei se discordo parcialmente do que você quis dizer com “escrever com tudo desde o início”, mas acredito que o autor deva sim começar dando o seu melhor, claro, depois de ter planejado razoavelmente o desenvolvimento e o tema central da história, pois pelo menos ele estará experienciando a escrita pra valer. Muito provavelmente ele poderá descartar parágrafos ou vários páginas algum tempo depois, mesmo estando bem escritas; o importante é que ele trabalhou a escrita e evoluiu mesmo que um poquinho nela.

    Eu estou ecsrevendo os primeiros capítulos enquanto pesquiso um pouco, mas depois de um certo ponto, darei uma parada na escrita e merguharei na pesquisa. Estou escrevendo mesmo só aquilo que já está quase definido, com pesquisa ou não.

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  3. Nossa… Adorei o texto e as dicas. Confesso que meu novo projeto foge um pouco de algumas pesquisas uma vez que estou escrevendo sobre elfos, bruxas, vampiros e etc e ambientando o livro no Brasil…rs… De qualquer forma, crepúsculo também fez uma releitura dos vampiros, não é? Mas concordo… Pesquisar é mais do que necessário!
    Em relação a leitores beta: gostaria de ter um ou dois, porém tenho medo de plágio e coisas assim e acabo deixando esta “função” para a minha mãe…

    Beijos e boa semana!

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