O maior problema dos escritores: a preguiça

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Hoje é dia de dar chicotada em escritores. Não dar chicotada pela história ruim ou mal escrita (dá vontade, mas), ou pelo modo como são grosseiros com os leitores, ou por se acharem os Reis do Português. Mas, sim, pela puta falta de fazer qualquer coisa do livro deles; em outras palavras, a famosa preguiça.

Sim, senhoras e senhores. A preguiça é e não é a melhor amiga do escritor. É e não é seu braço direito. É e não é a sua amante. A preguiça não tem gênero, cor, idade ou preferência. A preguiça é aquela que pega, agarra e vive nas costas de todo mundo e ninguém se importa — até porque preguiça é uma coisa que infelizmente não tem cura.

A realidade de um escritor no Brasil é a seguinte: você escreve o seu livro. Perde dias, meses, anos escrevendo um livro e apostando até o seu brioco nele, porque está crente que a sua história vai se destacar, que tem um diferencial que nenhuma outra tem, que tem uma trama muito legal e muito melhor que novela das nove e BBB. Mas o problema não é escrever, é mandar a porra da história para frente. E, tirando a questão de a internet ser a BFF do escritor em questão de divulgação, a maneira mais fácil de mostrar o seu livro para o mundo é… (wait for it) publicando ele.

Beleza. Vamos publicar o livro do autor brasileiro. Mas autor brasileiro que é autor brasileiro tem que tomar no meio dos olhos, porque as melhores editoras do Brasil ou dão mais bola para os amados estrangeiros, ou soterram o seu livro em uma pilha de outros originais de outros autores brasileiros ou simplesmente te ignoram ao estilo late mais alto que daqui eu não te escuto. Ou seja: as chances de você ser publicado por uma boa editora e poder se sustentar disso, é um pouco pequena. São poucos, de quantidade quase inexistente, os que conseguem isso sem ralar.

Veja bem: sem ralar.

Em contrapartida, temos as editoras pequenas, novatas, sob demanda, portuguesas, bem vistas na sociedade literária; e o que o autor brasileiro com dinheiro faz? Publica com uma delas — pagando o cu da calça algumas vezes, mas publica. Mostra seu filho para o mundo do mesmo modo como Simba é apresentado em O Rei Leão. Exibe para a parentada, para os amigos, enche o saco daquele carinha do RH ou da tecnologia que lê “esses livros todos” para que ele compre o seu exemplar autografado e o caralho todo, faz evento de lançamento no Pastel do China, vende na Amazon, faz um booktour e manda bala.

Mas isso é coisa de quem rala. De quem vai atrás.

Sabe o que o autorzinho brasileiro faz? Nada.

Isso mesmo. Absolutamente merda nenhuma. Ele escreve o livro, coloca em uma plataforma de autopublicação, no Mesa do Editor, posta alguns capítulos no Wattpad e espera por alguma iluminação editorial divina cair no seu colo e falar: Ei migs! Então, li aquele seu conto no Wattpad e achei legal, e queremos publicar. Começamos com um contrato de um milhão de reais para a gente publicar e depois vamos pagando 40% de royalties das vendas toda semana. Ah, sim, inclusive, aqui é da (coloque o nome da sua editora dos sonhos aqui).

Autorzinho, faça um favor: saia do País das Maravilhas e acorde para a vida, Alice.

ACORDA, MIGA.

Seu livro não vai sair da sua página do Clube de Autores, com o mesmo preço absurdo onde você coloca vinte reais de royaltie em cima do valor de produção, se você não ir atrás, se você não divulgar seu livro, se não SE divulgar. Seu livro não vai fazer sucesso sozinho sem você apresentar ele para blogueiros, para sites de literatura, para grupos de leitores; ele não vai se vender sozinho se você não imprimir alguns trechos ou exemplares e levar para bienais, eventos literários; seu nome não vai bombar e aparecer na lista da PublishNews dos mais vendidos se você não IR ATRÁS DISSO. Da mesma forma como não se faz um filho sozinho, o seu livro também não vai sair do mesmo lugar se você não se empenhar e fazer com que aconteça.

Cansei de ver gente dando oportunidade de divulgação. De gente oferecendo espaço para autores em projetos legais onde a visibilidade do autor é o que interessa; de gente dizendo que topa ler o ebook para fazer resenha; de gente abrindo um espaço em blog para o autor se divulgar, mandando um textinho por semana ou por mês que vai ser postado no blog; de gente montando campanha e projetos muito interessantes e que visam totalmente a divulgação do autor; e o autor fazendo o quê? Cagando e andando e reclamando do mercado editorial e suas dificuldades.

Miga, não é novidade que o mercado editorial no Brasil — para quem quer publicar sem pagar nada e só tomando uns bons drink — é uma merda. Isso aí é mais velho que andar para frente. Mas o que não falta, hoje, é oportunidade. Temos as famosas plataformas de autopublicação. Plataformas de leituras online. Milhares de blogs sobre livros por aí. Dezenas de editais de incentivo à cultura. Oportunidade para o autor aparecer e se divulgar é o que não falta. Agora tem até o BBB. Já deu o tempo onde o autor fica em casa, esperando a luz divina da publicação enquanto assiste Vale a Pena Ver de Novo e fica chorando pelo livro nunca publicado justamente por causa da sua preguiça de correr atrás. Ou às vezes nem é preguiça, e sim, é orgulho mesmo, por se achar bom demais para se publicar sozinho e achar que isso é coisa de fracassado.

SPOILER ALERT: muitos autores brasileiros que hoje fazem sucesso ralaram pra caralho para estar onde estão. Até mesmo quem já é famoso e já publicou um livro depois da fama ralou para estar onde está e conseguir a visibilidade que conseguiu. Por que é que com VOCÊ seria diferente?

Já deu o tempo onde o autor escreve e espera que as editoras venham atrás dele por telepatia. Quer sucesso? Vai lá fazer o seu. A receita é fácil. Só precisa de um livro pronto, uma dose de força de vontade e dois tapas de vergonha na cara. Na própria cara, inclusive.

Então, pare de chorume, levanta essa bunda da cadeira e vá atrás da publicação se é isso mesmo o que você quer. Ficar sentado em casa, choramingando porque o mercado é difícil, que ninguém te dá chance, que as editoras são umas bostas, não vai te tornar um autor melhor ou de repente vai fazer com que seu livro venda da noite para o dia ou vai fazer com que você conquiste um contrato de publicação milionário. Publica na Amazon. Distribua marcador de página na rua. Faça um lançamento no Pastel do China. Entre no Big Brother. Publique, distribua, corra atrás, apareça — nem que seja com a bunda pintada de vermelho, mas apareça. Quem não é visto, não é lembrado, e você como autor, mais do que ninguém, precisa ser visto, lembrado e valorizado pelo o que faz.

Bio Gabs

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4 comentários sobre “O maior problema dos escritores: a preguiça

  1. Amg,adorei o texto,falo tudo e mais um pouco.
    Estou escrevendo um livro e realmente a preguiça é uma peste incuravel,mas lutemos contra ela kk

    E esse negocio de autores esperarem acontecer um milagre… Por favor né.
    Simplesmente adorei,parabens!
    Bjos

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  2. Adorei o texto! Sabe aquele puxão de orelha que eu estava precisando? então… teu texto acabou de me dar!

    E… Sobre a parte do “entra no BBB” kkk eu tentei, mas acho que a globo não curtiu meu vídeo declamando uma poesia :/

    Beijos e parabéns pelo texto!

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