Escreve que passa: ritual de ano novo, pular onda e coisa e tal

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Em todos os dias de ano novo, eu costumo ir à praia com meus pais e mais alguns colegas da família. Todos vestidos de branco, vamos para lá faltando alguns minutos para a meia-noite. Bebemos champanhe e, quando dá a hora, assistimos aos fogos até o fim, abraçamos e desejamos um bom novo ano, pulamos ondas, bebemos e vamos para casa contar piadas e histórias até o primeiro resolver dar um tchau e boa noite. Quando chove — o que acontece quase todo ano, religiosamente —, aproveitamos a chuva e rimos da nossa “falta de sorte”. Eu mando mensagem para os amigos, desejando-lhes coisas boas para este ano que está chegando.

Nesta virada, eu fiz diferente. Comecei não usando uma roupa inteiramente branca e com dourado — como meu típico vestido —, e sim, usando mais preto do que branco. Fomos à praia, mas não bebi champanhe, nem cerveja, nem refrigerante; também não pulei ondas para tentar a sorte de que algum pedido meu se realize, e quando choveu, usei guarda-chuva. Peguei asco de chuva. Peguei um temporal no final de semana que está me fazendo tossir meus pulmões. Assisti aos fogos por poucos instantes, mais procurando gente conhecida perto de mim na praia do que interessada nos fogos — afinal, é sempre a mesma coisa: estoura aqui, ali, cores e tudo mais; dessa vez falaram, de brincadeira, que ia ter a cara da Dilma nos fogos, o ano de aniversário da cidade e no fim não teve bosta alguma de diferente. Também não mandei mensagem para os meus amigos, mas não porque eu estava brava com eles ou porque era rebelde, mas sim, porque perdi o carregador do meu celular, o que não é nenhuma novidade.

Eu resolvi fazer diferente; resolvi quebrar os rituais de virada de ano. Os meus rituais. A mesmice que sempre me acompanha. Foi um saco? Foi. Entre chuva, champanhe, tosse e fogos, eu estava lá, ansiosa para poder ir para casa ver minhas cachorras e minha gata, que provavelmente estavam enlouquecendo com o som dos fogos estourando. Estava ansiosa para ir para casa para jogar, escrever e assistir How I Met Your Mother — não necessariamente nessa ordem. Mas tudo isso porque percebi, meio que em cima da hora, que não adianta fazer um ritual.

Não adianta encher o cu de champanhe, pular dezenas de ondas até cair na água e sair encharcada, louca para pegar uma gripe de semanas, curtir a chuva passageira ou ligar para todo mundo da minha agenda; nada disso vai alterar nenhum acontecimento do ano que está chegando. Ele não vai ser melhor ou não se você deixar de seguir o seu ritual. Aliás, ele não vai fazer nada. Pombas! Para um ano ser bom, você não precisa pular ondas, jogar rosas, beber champanhe barato e soltar foguetes; basta ir atrás dele. Quem faz o seu ano é você. Se ele será bom ou ruim, dependerá totalmente de você. Ele vai ser a mesma merda que o anterior se você continuar fazendo a mesma merda que fazia no ano anterior.

Neste ano, eu resolvi que não vou esperar que ele seja bom para mim. Não vou sentar e esperar que meus desejos das ondas se realizem, ou que o champanhe me conecte com uma pessoa incrível magicamente, ou que a chuva caia no momento exato em que eu estiver precisando de um sinal sobre o que fazer com a minha vida. Eu, simplesmente, vou fazer com que esse ano seja bom para mim. Pela primeira vez, eu vou atrás dele; e não esperar que ele venha atrás de mim.

Sugiro que façam o mesmo. E começando por não postar coisas como “página 1 de 365”.

Feliz ano novo, pessoal.

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2 comentários sobre “Escreve que passa: ritual de ano novo, pular onda e coisa e tal

  1. Quase todos os anos passo a virada de preto, mas este ano foi diferente – Passei de preto como sempre. Não bebi champanhe e sim vodka e, pela primeira vez passei a virada com amigos rindo e me divertindo com eles mais do que me importando com os fogos. Fiquei na praia até 5 da manhã quando finalmente comecei a sentir sono e tontura por causa da bebida… Foi meu melhor ano novo, mas eu sei que começar o ano tão bem não significa que ele vá continuar perfeito sem que eu corra atrás e batalhe pelos meus sonhos!

    Abraços e parabéns pelo ótimo texto!

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