Resenha: Eleanor & Park, de Rainbow Rowell

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Eu não me lembro de verdade porque eu comprei esse livro (sei que o comprei em uma promoção louca da Saraiva ou do Submarino, algo nessa linha), mas lembro que alguém havia dito que era fofinho e como estava pela metade do preço, julguei pela capa e levei. A capa realmente é uma gracinha, não é? Pois é.

Sinopse

Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo.

Eleanor & Park é um livro bonitinho. Ele tem uma história legal, onde você claramente vê o romance entre os dois se desenvolvendo lentamente e (como John Green diz) como quem cai no sono: devagar e, de repente, de uma hora para a outra. Mas ao mesmo tempo em que você vê o romance dos dois se desenvolver, você começa a perceber e encontrar todas as diferenças possíveis neles e conhecer ainda mais, principalmente, a história de Eleanor.

Em alguns momentos eu acho que esse livro deveria se chamar Eleanor, pois ele tem mais Eleanor do que Park. Isso, claro, não o desclassifica da lista dos bons livros para se ler, mas a presença da Eleanor nele é tão forte que é impossível não pensar que o livro mais se trata dela do que de certa forma dos dois.

Eleanor & Park nos transporta para os tempos da fita cassete, dos gibis e muita música. Os dois se conhecem no ônibus, quando Eleanor se muda para a cidade de Park, o garoto com traços coreanos e que consegue não ser incomodado pelos garotos da escola – diferente de Eleanor, que começa já sofrendo chacota por ser ruiva, se vestir com roupas grandes e nada afeminadas e ser um pouco acima do peso. A história começa com os dois dividindo o banco do ônibus, onde apenas Park era o único dono, e, inicialmente, ele detesta Eleanor por forçá-lo a ceder seu espaço para ela, e se desenrola por muito tempo no mesmo cenário, tendo um revezamento de ponto de vista, onde parte é narrada com foco em Park, e outra parte é narrada com foco em Eleanor, mostrando ao íntimo um pouco mais sobre a história dos dois.

Ao mesmo tempo em que Eleanor & Park é bonitinho, é também muito triste. Como eu disse anteriormente, boa parte da história tem foco em Eleanor e, por conta disso, nós conhecemos sua história mais a fundo. Eleanor tem uma péssima relação com o padrasto, o pai não é presente e a mãe parou de ouvi-la ou até mesmo se importar de verdade com ela. Como se já não bastasse, ela se sente traída ao ver que seus irmãos mais novos agora chamam o padrasto de “pai”, mesmo depois do que ele fizera com ela. Existe um passado profundo e no mínimo terrível que ronda Eleanor, no qual a autora se limitou apenas a deixar isso no ar, não nos dando detalhes, mas existe uma margem que pode fazer com que nós imaginemos o que pode ter acontecido entre ela e o padrasto.

Os comentários acerca do livro fazem uma bela menção ao modo como as pessoas se identificaram com o livro, relembrando do seu primeiro amor, do frio na barriga, da ansiedade, dessas coisas. Infelizmente, o livro não me tocou tanto assim (ou meu primeiro amor não foi assim tão tocante, ou nenhum foi) para que eu me sentisse dessa forma. Eleanor & Park é bonitinho, sim. Por trás de tudo, existe uma história bonita, divertida, sexy e bem boca-suja do melhor nível. É um bom livro e foi bem escrito (e na verdade eu só quero dar uns tapas no diagramador, pois eu detesto a fonte que usaram, me lembra muito apostila de colégio), mas não me tocou. Não teve aquele feeling maravilhoso que costumo ter quando termino de ler um bom livro.

Eu o recomendo pelo seu bom enredo, sua boa narrativa e para que você conheça mais a fundo a história de Eleanor, que é muito interessante. Mas não o recomendo como o livro de 2014, ou o livro do século.

Boa leitura para você!

Bio

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