Resenha: O Céu Está em Todo Lugar, Jandy Nelson

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Sabe quando você compra um presente de aniversário tão legal para alguém, mas tão, tão, tão legal, que resolve ficá-lo para você? Foi o que aconteceu com esse livro. Eu juro que resolvi comprá-lo para dar de presente para a minha amiga. Mas depois que li a sinopse, depois que folheei um pouco e vi como o livro era (e o preço, também, que era bem salgado), eu resolvi ficar com ele pra mim. Nem me abalei.

Sinopse

Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida – e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda…

Bailey morreu. É a única coisa que Lennie pensou nos últimos meses, e ela tem tentado aprender a lidar com a partida da sua irmã, na qual era tão próxima. Se vendo pela primeira vez sozinha e com todas as atenções para ela – já que Bailey era a irmã que sempre se destacou mais, sempre foi extrovertida e sempre chamou a atenção -, Lennie não imagina que, como diz na sinopse, precisaria “se equilibrar entre dois garotos”.

Logo no início, vemos Lennie se envolvendo com Toby, o rapaz que era namorado de sua irmã quando ela ainda era viva. O envolvimento dos dois é mais voltado para o sofrimento de ambos da perda do que de qualquer outro sentimento de paixão ou amor; é uma necessidade de apagar aquele sofrimento, de sentir alguma coisa que não seja aquilo e está bem claro que é algo conduzido às cegas pelos dois. Nenhum deles sabe exatamente o que está fazendo. Eles estão, de alguma forma, tentando se consolar.

E então, temos o – pisca, pisca, pisca – Joe, um garoto novo na cidade que compartilha do mesmo amor pela música que Lennie tem. O carinho entre os dois é tão brilhante que pensei que estivesse em um filme da Disney quando comecei a ler. É difícil não se apaixonar pelos dois, juntos, shippando eternamente esse casal.

Mas Lennie não se conforma com o fato de ela estar se apaixonando por Joe e se envolvendo cada vez mais com Toby – principalmente com Toby – enquanto ela deveria estar de luto pela sua irmã. Por mais que Lennie tentasse encontrar a felicidade e a vontade de continuar seguindo em frente, toda vez que ela se pega lembrando da irmã ou descobrindo e encontrando algo que ela não imaginaria deparar com sobre Bailey, ela acaba voltando sempre para a estaca zero.

Às 16h48 de uma sexta-feira de abril, minha irmã estava ensaiando para o papel de Julieta e, menos de um minuto depois, estava morta. Para minha surpresa, o tempo não parou com o coração dela. As pessoas continuaram indo à escola, ao trabalho, a restaurantes; continuaram quebrando bolachas salgadas em suas sopas, preocupando-se com as provas, cantando nos carros com as janelas abertas. Por vários dias, a chuva martelou o telhado da nossa casa – uma prova do terrível erro cometido por Deus. Todas as manhãs, quando me levantava, ouvia as incessantes batidas, olhava pela janela para a tristeza lá fora e me sentia aliviada, pois pelo menos o sol tivera a decência de ficar bem longe de nós.

O Céu Está em Todo Lugar é um lindíssimo livro que fala sobre a superação de uma garota na perda de sua irmã, assim como também o desabrochar do primeiro e verdadeiro amor. Ele se tornou o meu livroterapia preferido, no qual pego para ler sempre que preciso relaxar ou encontrar alguma razão para não esganar alguém ou fazer besteira. O livro é inteiramente narrado por Lennie Walker em uma narrativa doce e poética, que flui com facilidade e te dá uma visão ampla de tudo o que está acontecendo ao redor dela, inclusive sobre os seus sentimentos em relação a tudo: Toby, Joe, Bailey… A história também traz um ar peculiar, explorando um cenário diferente, personagens diferentes, personalidades diferentes. Principalmente as situações. Em alguns pontos, posso dizer que é bem estranho encontrarmos certos elementos assim na história, mas nem por ele ser estranho significa que é ruim. Eu, particularmente, adorei essa peculiaridade do livro.

Uma das coisas que eu definitivamente amei e que, pra mim, se tornou a identidade do livro, foi a diagramação única. As páginas eram amareladas, mas a fonte era azul-escuro com uma margem generosa. Apesar de eu não ter gostado da fonte a princípio, vi que ela conversava bem com a história. E agora, tcharã, temos o especial: os poemas a cada quebra de capítulo. Sempre no final e algumas vezes no início de um novo capítulo, existe uma página ilustrada em fotografia com um poema escrito por Lennie Walker: em uma árvore, em um copo de café, em um pedaço de papel, uma nota fiscal. A ideia é maravilhosa e os poemas e textos são indiscutivelmente lindos.

Um dos textinhos de Lennie que eu mais gosto é este:

Visto as roupas dela, abotoo uma das suas camisas de babados por cima da minha própria camisa, ou abraço uma delas, às vezes, duas, às vezes, enrolo todos os seus cachecóis de dia em meu pescoço. Ou tiro a roupa e ponho um de seus vestidos justos, deixando o tecido cair sobre minha pele como água. Sempre me sinto melhor depois disso, como se ela estivesse me abraçando. Então, toco todas as coisas que estão no mesmo lugar desde a morte: dólares amassados retirados de um bolso suado, ou três frascos de perfume, agora sempre com a mesma quantidade de líquido em cada um deles, a peça de Sara Sheperd, Louco de Amor, com o marcador de livro sempre na mesma página. Já li o texto duas vezes por ela até agora, sempre deixo o marcador no mesmo lugar em que estava, quando acabo. Isso me mata! Ela nunca vai saber o que acontece no fim.

Para mim, é um livro muito emocionante. Eu chorei rios, principalmente com os poemas e textos da Lennie que são, indiscutivelmente, as melhores partes do livro. Não que a história seja ruim, muito pelo contrário: ela é maravilhosa. Os textos e os poemas a elevam a um nível muito maior do que apenas maravilhosa. Sem dúvida é um dos meus livros preferidos.

Boa leitura para você!

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