Resenha: Os 13 Porquês, de Jay Asher

Posts

Passei meses querendo esse livro e quando finalmente consegui comprar, ele chegou depois de todas as compras que fiz. Já dá pra perceber que esse livro pretendia me fazer ter uns ataques cardíacos. E foi exatamente isso o que ele me fez ter. Sem falar também que me fez chorar rios de lágrimas.

Sinopse:

Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

Os 13 Porquês deveria ser aquele livro de leitura obrigatória para todas as idades, inclusive, para os pré-adolescentes, que começam a descobrir que meninos e meninas juntos não é tão nojento como é na infância, assim como também começam a crescer, o corpo amadurecer, criar forma e entrar na famosa questão que destrói amizades e outras personalidades: a popularidade. Afinal, é muito comum vermos aquelas meninas que eram super amigas, mas que a partir do momento em que uma começa a ganhar uma atenção maior por ser bonita ou conhecida de alguém ou coisa do tipo, ela exclui completamente a amiguinha rejeitada e não-tão-boa-assim como ela. Aquela amiguinha não merece mais a sua amizade porque ela também não é popular.

Esse livro entra muito nessa questão: de adolescentes se descobrindo, tendo as primeiras experiências, perdendo amigos por causa de comentários maldosos ou coisa do tipo. Mas tudo na visão de Hannah Baker, a garota que se suicidou. Apesar de ser narrado por Clay, a presença de Hannah na narrativa é muito forte justamente por ele estar ouvindo suas gravações e elas terem muitas emoções e sentimentos.

Eu não vou entrar em muitos detalhes do livro, porque há coisas que simplesmente não consigo descrever por causa da maravilha que ele é, apesar de contar uma história triste e que se repete todos os dias ao redor do mundo. Porém, entendo que a ideia do livro é passar a mensagem de que você deve repensar nas atitudes que você vai cometer, pois elas podem ter consequências desastrosas para a pessoa que sofrerá com ela. Com Hannah, começou em um simplório beijo. Um simplório beijo, que foi distorcido pelo garoto enquanto ele contava para os amigos e que se tornou algo muito maior do que isso. A reputação de Hannah foi manchada sem ela mesma ter uma culpa verdadeira disso. E as coisas a partir de aí apenas desandaram. Completamente.

Era exatamente isso que eu queria para mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade.

Hannah apenas queria ter amigos, queria ser aceita e queria que as pessoas parassem de brincar com ela e acreditar em tudo o que ouviam. A vida dela foi um verdadeiro inferno após o boato do que ela havia feito ou não com aquele garoto. Tão difícil para ela que ela tomou a difícil decisão do suicídio.

Afinal:

Mas não dá para fugir de si mesmo. Não dá para tomar uma decisão de deixar de se ver para sempre. Não dá para tomar a decisão de desligar aquele ruído dentro da sua cabeça.

Esse livro nos faz pensar em todas as coisas que fazemos, que dizemos, e em como isso pode afetar as pessoas. Com Hannah, as pessoas pensavam que era uma brincadeira “saudável”, que ela não se importava, ou coisas do tipo. Elas não ligavam no modo como isso a afetava. Então, pelo desfecho da história, podemos ver que certas atitudes podem se reverter em atitudes completamente desastrosas.

O suicídio é um ato de coragem. Não é fácil você chegar em um momento da sua vida que você chega à conclusão de que você realmente é um nada, que sua vida não vale o ar que respira e que a única solução é tirar a sua própria vida para acabar com a dor e o sofrimento; é um ato de coragem você desmerecer a sua vida dessa forma e acabar com ela. O suicídio é uma solução permanente para problemas temporários. Quantos casos nós vemos, dia após dia? Adolescentes que tiveram fotos íntimas espalhadas na internet, namorados que difamaram namoradas nas redes sociais e para os amigos, a pessoa pouco acima do peso que sofre constantemente com piadas sobre seu físico. Bullying mata. Preconceito mata. Qualquer agressão verbal é capaz de matar. Talvez não por suas mãos, mas por suas palavras, que apenas aumentam a lista de motivos que a pessoa tem para refletir se vale a pena continuar vivendo em um mundo repleto de pessoas que não estão nem aí.

Fiquei pensando em suicídio. Na maioria das vezes, era apenas um pensamento passageiro. Eu queria morrer. Pensei nessas palavras muitas vezes. É algo difícil de dizer em voz alta. É ainda mais assustador quando você sente que pode estar falando sério.

Esse livro deveria ser aplicado em escolas como leitura obrigatória. Os jovens deveriam aprender sobre a importância e o poder das palavras e de suas atitudes, das brincadeiras de mal gosto, em como isso pode influenciar na vida de alguém, na maioria das vezes de uma péssima forma. Os jovens deveriam aprender a respeitar o próximo; por mais que não goste, por mais que tenha preconceito, eles precisam ao menos respeitar e não agir como se a pessoa fosse seu centro de entretenimento e bullying gratuito.

Mas o que Hannah não sofreu bullying, foi só uma brincadeira de mal gosto. Foi bullying, sim. O que Hannah passou foi agressão moral gratuita. Ao longo do livro você pode ver isso claramente. Só diz isso quem nunca sofreu nenhuma agressão no escola, seja física ou verbal. As brincadeirinhas nem sempre podem chegar como brincadeirinhas para a pessoa. Às vezes elas passam dos limites. E algumas pessoas são experientes em passar dos limites. Podemos ver isso na quantidade de alunos que são mortos ou processados durante trotes de faculdades; na menina que apanhou por ser bonita demais; no aluno que esfaqueou o outro sem nenhuma razão aparente; na menina que é excluída ou ignorada por ter um cabelo estranho ou um nariz grande demais ou uma deformação facial; ou no menino que apanhou por ser magro ou gordo demais.

Os 13 Porquês mexeu muito com meu íntimo. Tanto por eu ser uma garota e estar sujeita a tudo o que Hannah passou, tanto quanto porque também tive um amigo que cometeu suicídio. Chorei por algumas semanas toda vez que me lembrava do livro ou de umas frases. Ele definitivamente se tornou um livroterapia para mim, e principalmente aquele livro no qual eu indico para todos. Ele é triste, melancólico, depressivo, e é quase impossível que você termine de ler ele sem ter vontade de se esconder em um buraco de solidão e ficar por uns dez anos, repensando em todas as suas atitudes quanto no que possivelmente fizeram com você ao longo dos anos; ou até pensando em como você tem sorte e que isso pode não ser justo, por ter uma imensidão de Hannah Bakers pelo mundo e você querer abraçar todas elas. Mas é lindo. É maravilhoso. É um livro que todas as pessoas deveriam ler. Ele te ensina tanta coisa. Ele te diz tanta coisa. Ele conversa com você, com sua alma, com seu coração. Eu não tenho palavras perfeitas para descrever o quão esse livro é bom em todos os sentidos possíveis. Só você lendo para saber.

Boa leitura para você!

Bio

Anúncios

Um comentário sobre “Resenha: Os 13 Porquês, de Jay Asher

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s