Editora Tradicional vs. Editora por Demanda: como encontrar um contrato justo

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Uma coisa é certa: nove entre dez autores querem publicar seu livro por uma editora tradicional. O autor quer ser pago para escrever e publicar, ao invés de pagar para publicar. E, tendo isso em vista, as editoras recebem diariamente milhares de e-mails sobre “obras inovadoras e inteligentes e que provavelmente serão um sucesso”. Infelizmente, as editoras tradicionais não são casas de caridade e não podem publicar tudo o que aparece para elas. Os editores-chefes sempre estarão buscando livros de qualidade comercial, que possam vender bastante para cobrir os gastos com a publicação e que estão “na onda literária”. Porém, nem todos os autores escrevem obras “vendíveis” ou comerciais e muito menos o que está na onda, ou geralmente os livros tem uma baixíssima qualidade, o que faz com que as editoras tradicionais descartem completamente logo de cara uma série de originais, às vezes até mesmo sem parar para analisá-los.

A pouca (se não quase inexistente) valorização do autor brasileiro pelas editoras tradicionais abriu espaço para que as editoras por demanda pudessem criar seu espaço fixo no mercado, abrindo portas para novos autores cheios de sonhos e expectativas a respeito do seu livro a ser publicado. Mas é claro que as editoras por demanda, geralmente, têm um porém: ou elas cobram pelos serviços, ou elas pedem para você comprar parte da tiragem ou elas publicam apenas online.

A ideia de pagar para publicar ainda não é exatamente bem vista pelos autores de hoje. Os leitores e outros autores acreditam que, se o autor Fulano pagou para publicar o livro dele, é porque a qualidade do livro é tão ruim, mas tão ruim, que ele teve que contratar alguma editora para editar e publicar o livro dele, porque nenhuma editora quis pagar ele para publicar o seu livro. A história não é bem assim. Há livros ruins? Existem! E alguns até as próprias editoras tradicionais publicam. Mas ainda assim, existem livros excepcionalmente bons que, ou estão publicados de maneira independente, ou estão soterrados em uma pilha de novos originais que provavelmente serão descartados.

De fato, publicar um livro independente pode abrir portas para você. Mas conquistar uma publicação tradicional é um nível muito melhor e maior do que ter que pagar para publicar. Você será bem visto, bem comentado, justamente porque não foi cobrado nada de você para publicar o seu livro. Mas como encontrar uma editora justa? Como encontrar um contrato justo, de uma editora que te valorize mais do que outras? A tradicional é melhor do que a por demanda? Ou a por demanda é melhor do que a tradicional? Nesse post, eu irei citar algumas diferenças entre elas e, no final, você tirará suas próprias conclusões.

O cu$to de publicar.

Enquanto as editoras tradicionais não cobram nada por publicação, deixando você relaxado de todas as contas e até mesmo financiando possíveis viagens para bienais e eventos de lançamento do seu livro, as editoras por demanda geralmente cobram uma parcela, sendo talvez 1) a divisão de custos, sendo já calculado o valor de serviços, impressão e quem sabe marketing, 2) fazendo com que o autor adquira parte da tiragem, geralmente com o mínimo de 50 ou 100 livros, 3) fazendo o autor pagar por todos os serviços editoriais e a impressão é por conta da editora ou 4) fazendo o autor pagar por todos os serviços editoriais e adquirir parte da tiragem. Para o autor mão-fechada, nenhuma dessas opções parece realmente boa, porque sempre vai acabar sendo caro demais, às vezes até mesmo custando no mínimo, R$800,00 com uma boa editora para realizar os serviços, a tempo em que a editora tradicional não cobra nada.

O pagamento de royalties.

A editora tradicional trabalha com divisão de royalties entre ela e o autor, sendo o autor levando uma porcentagem das vendas físicas (por exemplo, 10%, para menos ou mais) e às vezes até pagando uma porcentagem maior para livros digitais. Já a editora por demanda pode trabalhar de duas maneiras: também realizando uma divisão de royalties das vendas, geralmente no mesmo valor da porcentagem que a editora tradicional oferece, ou pagando a porcentagem de vendas para o autor em livros dele mesmo. Ou seja: se você vendeu R$300 dos seus livros, esse valor será convertido em livros físicos seus para você vender. Nesse caso, o autor ganha dinheiro vendendo os livros da tiragem que ele comprou e da porcentagem que a editora pagou em livros para ele. Essa é a estratégia que algumas editoras usam, a de royalties em 100% para o autor, e é o que geralmente fisga. Porém, na maioria das vezes, as editoras por demanda não pagam os que foi vendido nas livrarias para o autor, sendo esse valor, como eu disse, convertido apenas em livros. É algo que também é estipulado no contrato e que precisa ser muito bem analisado.

Nova edição do seu livro! A nece$$idade de reimprimir.

Se o seu livro precisar de uma nova impressão futuramente, porque a primeira tiragem acabou, a editora tradicional não cobrará nada de você. Isso ficará por toda a conta dela e você poderá ficar em casa tranquilo, apenas recebendo o dinheiro das vendas e até mesmo escrevendo um novo livro. Nas editoras por demanda, pode acabar sendo de outra maneira: ou a editora pode te cobrar a divisão de custos da impressão (que será menor, obviamente, por geralmente não contar novos serviços editoriais) para reimprimi-lo, ou ela pode te solicitar que adquira novamente uma parte da tiragem na reimpressão ou ela pode arcar com isso sozinha, sem te cobrar nada ou te dando uma parcela em livros.

Vamos para a bienal.

Se você quiser participar de um evento literário como a bienal e entrar em contato com a sua editora, caberá ela a decidir se há a possibilidade de você comparecer mesmo, ainda mais se o seu livro for ou não um sucesso da editora. A editora tradicional pode (ou não) bancar seus gastos de viagem, hospedagem e locomoção até o local. A editora por demanda também pode (ou não) bancar os mesmos gastos, mas na maioria das vezes, é por conta do autor. A editora não terá responsabilidade sobre o financeiro do autor, ao menos que ela faça muita questão da presença dele e pague tudo. Geralmente, é cedido uma ou duas entradas do evento que o autor terá que participar, mas locomoção e hospedagem geralmente é por conta do autor.

Sou eu quem mando!

Uma vez que a editora tradicional tenha um contrato com você (geralmente de direitos autorais), ela pode fazer o que bem entender com o seu livro, até mesmo ter a palavra final sobre o design de capa e diagramação dele, o que deixa muitos autores encasquetados com isso. A editora tradicional pode contratar ou ter um capista e diagramador próprio e fazer tudo do jeito que ela quer para vender e você poderá não opinar sobre isso, afinal, se ela está pagando a sua publicação, ela tem mais poder de decisão do que você. Já a editora por demanda, você tem a opção de aceitar que a editora ceda um capista e diagramador deles para você e opinar em tudo, você pagando ou não por ambos os serviços, ou pode contratar um capista e diagramador por fora para realizar o trabalho, onde você terá poder de decisão e escolha do design do seu livro.

Analisando contratos: impressão ou direito autoral?

Os contratos são os bichos e geralmente fazem alguns autores tremerem nas bases. As duas editoras podem trabalhar ou não com os dois contratos. A editora tradicional trabalha com o contrato de direito autoral, onde você vende ou cede os direitos do seu livro para a editora, onde ela pode fazer o que quiser e bem entender como ele, vender do jeito como quiser e sem ter que pedir sua opinião ou permissão. Ela poderá, literalmente, prostituir o seu livro e você não poderá reclamar de nada. Entretanto, você ganhará seus royalties das vendas, a editora bancará tudo e você poderá apenas ficar sentado e vendo a vida de autor publicado passar. Porém, justamente por você não ter mais direito algum sobre esse livro, você não poderá publicá-lo com outras editoras, nem ao menos online no Amazon ou distribuir seu livro de qualquer outra forma. Ele estará restrito àquela editora e ponto final. Já no contrato de impressão, que é firmado com a editora por demanda, você apenas permite que a editora imprima a tiragem de seu livro, sem tratar isso como infração de direito autoral. O contrato de impressão é válido apenas para imprimir e distribuir seu livro, e quando isso finalizar, você poderá pular fora da editora quando quiser, sem ter que pagar multa ou se preocupar com a justiça.

E o marketing?

A editora tradicional precisará vender o que imprimiu do seu livro para cobrir os gastos que teve com a publicação. Automaticamente, ela investirá e trabalhará muito em marketing para que ele venda bem, ao menos pra cobrir os custos. Ela poderá optar por um marketing agressivo, realizando book tours, mandando seu livro para blogs parceiros, postagens diárias no facebook e todo o tipo de marketing possível, do tradicional ao digital. A editora por demanda pode também fazer um marketing agressivo, mas para vender o que ela tem e nem sempre ela escolhe essa opção. Se ela vendeu toda a tiragem e você ainda tem uns 50 livros para vender, isso não é problema dela. Geralmente, você terá que cuidar do marketing do seu livro, divulgando por conta própria para conseguir vender e obter o lucro. Você precisará bancar todos os custos de marketing, se necessários.

A noite de lançamento, como que faz?

Obviamente, as duas editoras podem ter o desejo de fazer uma noite de autógrafos para o lançamento do livro, mas uma delas pode optar por não fazer simplesmente porque não vai ganhar nada com isso e existirão gastos. A editora tradicional pode fazer uma noite de autógrafos sem custos algum para o autor, pagando todos os seus gastos de locomoção e cedendo os livros a serem autografados. Já a editora por demanda pode ceder o espaço em algumas vezes, mas o autor se responsabilizará por locomoção, livros e divulgação, uma vez que os livros a serem vendidos geralmente serão os que o autor tem consigo.

Interesse e tempo de resposta.

Justamente por “serem fáceis de se trabalhar” e não darem custo algum para o autor, a editora tradicional tem pilhas e pilhas (sejam de pastas, sejam de e-mails) de livros recebidos diariamente. O tempo de resposta e o interesse da editora podem variar ou até mesmo não existir. Há editoras que nunca respondem, nem quando a obra foi avaliada e recusada, respondendo só quando há interesse e ainda podem levar meses ou até o período de um ano para você ter uma resposta. Ou, como eu disse, nunca ter. Já as editoras por demanda, apesar de terem talvez metade do contato que a editora tradicional recebe diariamente, conseguem te responder em um período menor ou igual a dois ou três meses. Já recebi respostas em menos de dois dias de uma editora por demanda para publicar meu livro. Interesse eles têm, é claro: justamente por serem por demanda, algumas pensam que ganharão dinheiro de qualquer jeito, o seu livro vendendo ou não, então toda obra é boa o suficiente para publicar. Portanto, o interesse é grande e o retorno é mais rápido.

A famosa pressa de publicação.

Você terminou de escrever o seu livro, ele tem o gênero da moda e quer publicar o quanto antes para fazer sucesso. Porém, as editoras tradicionais demoram para dar um retorno ou nunca dão, enquanto as editoras por demanda respondem em um espaço de tempo curto, mas cobram. Ao menos que você queira pagar, só assim você poderá publicar seu livro em pouco tempo, sem esperar até um ano pela atenção de uma editora tradicional. Caso, ainda assim, você queira publicar com uma editora tradicional, sugiro que procure um agente literário. Algumas (se não todas ou grande maioria) editoras tradicionais podem receber originais apenas por agentes literários, descartando todos os outros que são diariamente recebidos. Você poderá contratar um agente, que irá sugerir uma divisão de royalties após conquistar sua publicação, e poderá ter um contato com uma editora tradicional mais facilmente ou mais cedo do que você imagina e, ainda mais, com a editora certa e que te valorize pela sua história e não pelo seu bolso.

Não deixe de analisar bem as suas escolhas e o que é mais viável para você. Acima de tudo, escolha sua editora com sabedoria! Principalmente, não escolha editoras através do preço! Procure qualidade e atenção.

O que achou do post? Compartilha aí e não deixe de comentar!

Boa escrita para você!

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2 comentários sobre “Editora Tradicional vs. Editora por Demanda: como encontrar um contrato justo

  1. Oi!
    Também sou autora indie e acabei esbarrando com seu blog quando fui fazer uma pesquisa sobre os principais tipos de editora para uma postagem. Suas dicas podem ser muito valiosas para alguns escritores perdidos, haha. Coloquei o link desta postagem no fim da minha, falando que você é autora indie e fez uma postagem esclarecedora sobre o assunto e enfim, espero que não se importe. O link é este, caso queira dar uma olhada: http://tainaruiz.blogspot.com.br/2015/06/tipos-de-publicacao-e-os-pros-e-contras.html
    Beijos!

    Curtir

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