Autor na internet: não seja este autor!

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Antigamente, um autor nacional custava a ter a visibilidade que precisava ter para fazer certo barulho no mercado literário. As editoras não colocavam muita fé em publicar um Zé Ninguém, que geralmente nem apelido na cidade que todos conheciam ele tinha, e ainda duvidavam da qualidade da obra. Além de que, certamente, o contato entre o editor e o autor era quase inexistente.

Com a chegada da internet, isso mudou drasticamente. Não apenas a internet facilitou o serviço do autor de divulgar sua obra e dar visibilidade a ele, mas também, possibilitou que ele autopublicasse seus livros, fazendo seu sucesso e nome sem precisar de uma editora. Embora, é claro, muitos ainda achem que uma editora é importante para que a carreira de autor se solidifique na vida de alguém.

Entretanto, quanto mais obras eu vejo sendo divulgadas diariamente, mais eu também vejo o comportamento no mínimo deplorável de alguns autores que fazem com que eu torça o nariz e pense mil coisas negativas. Certos comportamentos fazem com que sua imagem como autor fique queimada, não muito bem vista nos olhos de leitores e até mesmo de outros autores. O que vou citar ao decorrer deste post, são coisas que você, como autor na internet, deverá evitar fazer.

Não seja este autor que:

Vive reclamando do mercado editorial brasileiro, vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana e mais de vinte oito dias ao mês. O mercado editorial brasileiro é difícil, desvalorizado e mais uma bananada de coisa. SIM! Nós sabemos, temos conhecimento dessa dura informação, já entendemos e até mesmo nos conformamos. Agora engole esse choro que tá ficando feio. Ficar choramingando e xingando as editoras nas redes sociais não vai fazer com que o mercado editorial no Brasil melhore. Nenhum editor, principalmente, vai se apiedar de você e resolver publicar sua obra porque você é o coitadinho que nunca conseguiu uma publicação tradicional. Quer saber o que fazer? Vá a luta: publique seu livro sem a ajuda das editoras e vejam elas correrem atrás de você depois. Ah, mas é muito difícil. Não é, não. Hoje, com o acesso que nós temos, publicar se tornou algo muito fácil e até mesmo barato. Não se publica um livro quem não quer. Então, ao invés de chorar e reclamar, vá a luta! Engole esse choro e pare de reclamar!

Faz propaganda do seu livro e marca todas as pessoas possíveis do seu facebook sem permissão das pessoas marcadas. Pra ser sincera, não tem coisa mais chata do que ver uma notificação de que Fulano de Tal de marcou em uma publicação com mais 44 pessoas. Além dos spams insuportáveis que recebemos quase sempre de todos que caem no truque do emagrecimento e enriquecimento rápido via internet, também não é nada legal ficar recebendo marcação de algo que você nem conhece. Você publicou um livro? Ótimo! Bacana mesmo, cara, parabéns pela sua conquista! Mas tem gente na sua lista de amigos que pode não ter o costume de ler, ou que não gostou da sua obra ou que talvez nem sequer conhece você direito. Ficar sendo marcado com algo que ele não tem nada a ver é chato demais, e infelizmente, não vai trazer mais leitores para você. Pelo contrário: as pessoas vão começar a ficar emputecidas por você estar usando o perfil delas para se promover e vão acabar te excluindo e te queimando para quem quiser ouvir. A sugestão é: não fique marcando pessoas desconhecidas nas postagens, e até mesmo seus amigos. Se for realizar uma postagem, peça permissão para a pessoa para marcá-la no post ou simplesmente espere que compartilhem. Fica bem mais bonito e menos incômodo para você.

Compra curtidas para a sua página do facebook. Não sei quanto a vocês, mas eu sei que páginas eu curti, que costumo acompanhar e definitivamente eu não curti e nem acompanho a do Autor Fulano de Tal. Isso é chato e pode ter dois tipos de efeitos: o positivo e o mega negativo. O positivo é de que a pessoa possivelmente se interesse pela obra do autor e passe a acompanhá-lo. O mega negativo (como acontece comigo, toda santa vez que isso acontece) é de pensar que o autor é tão ruim ou tão preguiçoso para divulgar sua obra, que é obrigado a comprar curtidas na página dele para que ganhe a visibilidade desejada. Quer conquistar fãs e curtidas na sua página? Faça por mérito próprio! Melhore sua escrita e histórias, se necessárias, escreva para um público mais amplo. Interaja. Mas não se rebaixe a ponto de comprar curtidas e visualizações na sua página. Esse tipo de visibilidade você deve conquistar por boa vontade, e não pelo o que você tem na sua carteira!

Menospreza trabalhos de outros autores e profissionais do mercado. O mal de vários escritores que estão se autopublicando é de que sempre se acham bons ou melhores o suficiente do que todos os outros e espalhar isso em quatro ventos. Fica falando que o livro de tal autor é horrível e muito mal escrito, que ele escreve muito melhor que aquilo, que o serviço de tal profissional é “fichinha” para ele e que ele pode fazer sozinho. Uma coisa é você criticar o livro do coleguinha de modo plausível, apontando as verdadeiras falhas, realizando uma crítica construtiva. Outra coisa é você meter o pau no livro do coleguinha apenas por capricho, para queimar o coleguinha e te colocar em destaque. Isso é feio e extremamente infantil. Ficar queimando os outros só mostra o quão possivelmente medíocre você é. Afinal, precisa ficar rebaixando os outros para se sentir um dos bons. Isso queima seu filme, tanto para com outros autores, quanto para os leitores. Leitores gostam de livros e de boas histórias, sim! Mas seja arrogante e grosseiro com outros para ver se você já não perde uma boa cota deles. Assim como livros bons, eles também prezam por boas atitudes de seus ídolos. Os leitores gostam de se sentirem orgulhosos por seus autores, não envergonhados pelo o que eles falam de ruim sobre os outros.

Se acha o rei do português. Legal, você escreveu um livro. Legal, você entende (às vezes um pouco) de português. E tudo bem que ler um “concerteza”, “agente vamos”, “eles ficão aqui” dói pra caramba, mas nem por isso você precisa sair corrigindo todo mundo que aparecer na sua frente, principalmente novos autores, na frente de todos e usando o artifício de ter publicado um livro como motivo de você poder corrigir os outros. Poder fazer isso você até pode, mas isso vai queimar sua imagem de bom autor e te transformar “naquele autor arrogante metido a Aurélio”. Então vai do seu caráter. Viu alguém escrevendo errado? Chama no privado, fala que tal coisa se escreve assim e seja cordial, não sendo arrogante. Ninguém é melhor do que ninguém aqui. E cuidado: você pode ter o dom das palavras, mas nem sempre pode ter o dom da gramática.

Não é humilde. Nossa, seu livro vendeu mais de dois mil exemplares! Legal cara. Parabéns! É o que você provavelmente vai ouvir quando atingir uma boa meta de vendas. Claro, qualquer autor ficaria orgulhoso de vender bastante. Mas saiba que a partir do momento que você tem uma visibilidade e fama, você precisa manter o seu nariz no mesmo lugar e não deixá-lo se elevar. Ser arrogante, se achar melhor do que todos os outros autores iniciantes e principalmente, não ser humilde, são as principais características de autores que viram babacas quando ficam famosos. Lembre-se: a sua fama pode crescer, assim como sua conta bancária, mas mantenha seu nariz do mesmo tamanho e no mesmo lugar. Humildade é tudo. E é completamente admirável encontrar isso em alguém que trabalha com arte atualmente. Dá ainda mais vontade de prestigiar o trabalho dessa pessoa.

Não sabe lidar com críticas negativas sobre o seu livro. Autores que ficam choramingando porque o livro dele teve uma péssima crítica são os que eu mais vejo. Se você é um autor que pensa seriamente em abandonar sua carreira por causa de uma crítica negativa, só te digo isso: levanta essa cara! Engole o choro! Se continuar a chorar, a vida (e as pessoas que criticaram seu livro) vão te dar um bom motivo pra você chorar. Mas a crítica foi pesada. E daí? Isso não é motivo para abandonar seus fãs e sua carreira. Nesse momento, pense como a Suzana Vieira: o que é uma crítica negativa diante de X pessoas que me amam? Se tem quem goste, talvez você esteja no caminho certo. Aliás, você deveria usar o lado bom da crítica que é: aprender com ela. Aceite a crítica, porque assim como ninguém consegue agradar todo mundo, você também não vai conseguir agradar todo mundo e terá de se conformar com isso. E com isso, faça um bom uso dela. Analise ela, veja se é construtiva e relevante e aplique nos seus escritos! Talvez, aquela crítica que possa doer mais, é aquela que mais te ajuda. Eu também levei uma crítica pesada e que me fez chorar por uma semana e me causou um bloqueio criativo de meses. Mas sabe o que eu percebi? Que a pessoa que me criticou estava certa! Que estava péssimo daquele jeito e que eu, definitivamente, poderia melhorar. J.K. Rowling levou uma série de recusas, assim como Stephen King e Meg Cabot e não sei mais quantos autores internacionais. Se você quer ser como eles, não se abale. Faça das críticas suas melhores amigas, aplique elas para os seus livros e/ou vida profissional e siga em frente.

Arruma briga. Isso é quase uma ementa do item citado acima. O que eu mais vejo são autores desprezando outros autores, falando mal do trabalho deles, fazendo críticas sem fundamentos e tudo mais. Porém, é claro, há aqueles que não sabem lidar e se afetam. Os autores que arrumam brigas porque o fulano de tal não gostou do seu livro e fez uma crítica pesada é o mais feio que tem. Autor barraqueiro, acorde: há pessoas com opiniões e gostos divergentes dos seus. Sempre vai ter aquele que não vai gostar do que você escreve, que vai te criticar e te colocar para baixo. Ficar brigando, discutindo e baixando o nível com aquele que não gostou do seu trabalho não vai torná-lo melhor e só vai queimar a sua imagem, deixando-o parecendo como o “Autor Mimimi Não Gostaram Do Meu Livro”. Então cabe a você agir como uma pessoa adulta e aceitar a crítica e conviver com isso (ou simplesmente ignorá-la) ou ser criança o suficiente e brigar com quem criticou seu livro e perder leitores e credibilidade.

Se em alguma parte do texto você sentiu uma dor, como se eu estivesse cutucando sua ferida, saiba que você precisa ajustar isso. Não falo apenas como autora, falo também como leitora. Já deixei de seguir e admirar muitos autores nacionais por conta de seu comportamento deplorável, arrogante e baixo na internet. Há uma série de coisas que, não apenas me irritam, mas também irritam leitores, sobre autores nacionais que se eu parasse para colocar tudo, eu não terminaria hoje. Citei apenas os mais importantes e mais frequentes.

Se você quer ter uma boa imagem como autor nacional, não seja este autor!

Boa escrita para você!

Bio Gabs

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14 comentários sobre “Autor na internet: não seja este autor!

    • Oi Gislaine!
      Hahaha o problema é que alguns acreditam que suas histórias são inabaláveis de tão originais e não se conformam com as críticas que recebem. Só vejo choro. Enquanto alguns aprendem com as críticas e sambam com a bateria da literatura, outros ficam de birra, barraco e chorando pelos cantos porque o Zé Fulano criticou. Oxi!

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  1. Olá Pandora, adorei o texto, além dos toques bem legais, também ri muitão com o “emputecidas, autor barraqueiro e mimimi”. Comecei a escrever contos em meu blog, como passatempo, sem a pretensão de tornar-me escritora de livros ou similar. Depois que entrei no grupo (Escritores ajudando outros escritores), comecei a ter mais interesse em aprender, tenho lido muito ultimamente e, textos como o seu, são os que me animam a tentar evoluir. Ganhou uma fã… Beijos!

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  2. Texto excelente! Ótimas dicas para novos autores. Todo mundo deve ter o “pé no chão”, tanto o iniciante quanto o escritor reconhecido e admirado. Também escrevo, mas sou iniciante. Parabéns pelo texto!

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    • Oi Evaldo!

      Fico feliz em saber que gostou do texto! Obrigada pelo carinho! :)
      Sim, todos os autores pelo menos precisam ter um bom senso. Ninguém é melhor do que ninguém; somos todos iguais nesse ramo. Acho que precisamos nos apoiar ao invés de um ficar apedrejando o outro como tem sido ultimamente.

      Obrigada pelo comentário e pela presença por aqui!

      Abraços!

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    • Oi Sario, tudo bom?

      Fico feliz em saber que gostou do artigo! Eu me senti na obrigação de escrevê-lo ao ver que ainda existem muitos autores que acham que têm um rei na barriga, quando são como todos nós. Acho que bom senso é algo extremamente necessário nessa carreira, não é mesmo?

      Obrigada pelo comentário e pela presença!

      Abraços!

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  3. Oi Pandora,
    Concordo inteiramente com seu texto. Muitas pessoas têm mania de vitimização. Se fazem de coitadinhas. Ser escritor é como qualquer outra profissão. É necessário ir à luta, vender “o peixe”.
    Outro problema é o estrelismo. Alguns escritores acreditsm terem feito um grande bem à humanidade ao escrever suas obras e por isso não precisam se envolver com as questões “menores”, tais como se empenhar na divulgação e venda de seus livros.

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