Resenha: Sangue e Chocolate, de Annette Curtis Klause

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ALERTA: Contém spoilers!

Sangue e Chocolate é um livro que eu sempre quis ler e penei para encontrar, pois ele foi publicado no Brasil através da falida Editora Underworld. Eu pensei que eu nunca ia poder ter o formato físico desse livro nas minhas mãos e teria que me contentar com algum pdf piratíssimo, ou começar a falar e escrever e ler inglês sem problemas para conseguir ler o original ou apenas me contentar com o filme mesmo. Mas, graças aos céus, existe a Estante Virtual e, para a minha sorte, Sangue e Chocolate estava à venda lá por um preço bem bacana.

Sinopse do livro Sangue e Chocolate:

Sangue e Chocolate (Blood and Chocolate), escrito por Annette Curtis Klause, conta a história de Vivian Gandillon que saboreia a mudança, a dor doce e poderosa que a leva de garota à lobo. Com dezesseis anos, ela é bonita e forte, e todos os lobos jovens estão em seu pé. Mas Vivian ainda está de luto pela morte de seu pai; seu grupo continua sem um líder e em desordem, e ela se sente perdida nos subúrbios de Maryland. Ela deseja uma vida normal. Mas o que é normal para um lobo que precisa a todo custo esconder a sua identidade dos humanos? Vivian ganha a vida trabalhando numa loja de chocolates e acaba se apaixonando por um garoto humano, bom e gentil, gatoso um alívio bem vindo para ela. Ele é fascinado por magia, e Vivian deseja se revelar para ele. Provavelmente ele a entenderia sua natureza dupla e não sentiria medo ou repulsa como um humano normal faria. A lealdade dividida de Vivian é forçada ainda mais quando um assassinato brutal ameaça expor o grupo. Movendo-se entre dois mundos, ela não parece pertencer a nenhum dos dois e se sente perdida entre as regras de lealdade de seu mundo e a vontade de se revelar seu amado.

Dá pra ver que o livro aparenta ser muito bom, não é?

Bom, não vou dizer que ele não é. Ele é bom, sim. Vivian é uma protagonista forte e diferente das protagonistas pão com ovo que costumamos ver por aí, que se baseia no estereótipo de 1) menina tímida e virginal, e que só quer ser normal, 2) menina briguenta e temperamental, que na hora que É para ela ser temperamental, briguenta e assassina, acaba se tornando uma molenga e 3) menina que não é nada. Vivian é linda, forte, atraente e tem todos aos seus pés. E ela sabe disso. E, acima de tudo, ela é uma cadela. Literalmente. Ela se orgulha do fato de ser uma loup-garou, de poder correr, comer coelhos e uivar para a lua e tudo mais.

Uma coisa que gostei muito no livro foi que ele era muito realista. O amor entre um humano e um lobisomem (PREPAREM ESSES CORAÇÕES DE TEEN WOLFZEIROS), querendo ou não, é sim quase impossível de ser saudável para ambas as partes. O lobisomem pode ferir ou matar acidentalmente o humano, ou quando o humano descobrir que seu parceiro é um lobisomem, é muito difícil que ele aceite de primeira como um namorado aceita o novo corte de cabelo da namorada. Porque ver a sua namorada se transformar em um cachorrinho um pouco grande demais e que pode quebrar a sua janela e arrancar sua cara é uma coisa completamente de ela te mostrar o seu novo corte de cabelo.

Annette passou esse realismo perfeitamente no livro. O romance entre Aiden e Vivian era impossível. Ela poderia matar ele. Ele poderia rejeitá-la. Havia uma centena de coisas que poderiam acontecer que tornava o romance entre os dois ainda mais impossível. Felizmente, apenas uma aconteceu: Aiden a rejeitou quando descobriu que ela era um lobisomem. E aí a coisa desandou. Particularmente, achei sensacional, porque ela mostrou o quanto o romance dos dois era superficial.

Já com Gabriel, um integrante da matilha de Vivian, a coisa foi muito diferente. Eu gostei muito do final, onde ela finalmente (nas quatro últimas páginas) que o cara perfeito pra ela é o Gabriel, porque ele a entende, ele sabe como ela é, e ele também é como ela. Não há limites ou barreiras ou segredos entre os dois. Finalmente houve uma ligação perfeita entre Vivian e Gabriel, que ela tanto desprezou ao decorrer do livro inteiro.

Eu achei a história boa, mas os meus pontos negativos estão para o lado editorial da coisa. Quem me dera ter lido esse livro quando a Under estava na ativa, caso contrário, eu mandaria essa resenha especialmente para eles.

A revisão estava péssima. Tinha erros grotescos de tradução e revisão, nomes de personagens trocados (até agora eu não sei se era Alex ou Axel), “como” trocado por “somo”, vírgulas metidas em lugares errados, coisas assim. A diagramação também não estava das melhores. Quando a frase, na maioria das vezes, trazia um pensamento da personagem (por exemplo: Ele vai me matar, ela pensou.), o que vinha depois do pensamento estava tudo em itálico, mesmo quando não era mais o pensamento dela e sim parte da narrativa. Vi também palavras hifenizadas em partes erradas. Não havia um padrão exato nas primeiras palavras dos capítulos, onde começavam com uma fonte diferente. Às vezes eram três palavras, às vezes duas, às vezes seis (eu tenho um tique com essas coisas, fiquei louca ao perceber que não havia um padrão) e também achei a fonte muito pequena e a margem gigantesca. Parecia coluna de jornal.

A história era boa. Se fosse pelo editorial, não valeria a pena comprar, na minha opinião. Eu fiquei bem decepcionada, tendo em vista que ouvi falar muito bem da Under e me apaixonei pelos títulos e capas. Essa foi minha primeira aquisição da editora e fiquei bem decepcionada (se bem que minha opinião agora não importa muito porque ela não está mais na ativa, mas enfim).

Outra coisa que também prestei a atenção foi na sinopse e na divergência dela com a história. Eu juro que tô procurando a loja de chocolates que a Vivian trabalha até hoje. Não tem nada de chocolate no livro, só breves comentários de que a personagem come/gosta de chocolate, mas não que ela trabalha, como diz na sinopse. Eita, vida, o que foi isso?

No geral, dou quatro estrelas pela história. Eu gostei bastante, ela se destacou com seu realismo (apesar de ser uma história de lobisomens) e mostrou uma personagem muito mais forte e interessante do que as personagens que costumamos ver em histórias sobrenaturais.

E aí, gostou da resenha? Comenta aí!

Boa leitura para você!

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2 comentários sobre “Resenha: Sangue e Chocolate, de Annette Curtis Klause

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