Entrevista: Marcele Cambeses

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Eu resolvi fazer um quadro novo no blog, que será postado todas as segundas. Trata-se de uma entrevista com autores nacionais com obras já publicadas. Eu viso, além de conhecer ainda mais o trabalho desses autores, divulgar o trabalho deles através do blog e apresentá-los a muito mais gente. A primeira entrevistada é a autora linda diva fofa maravilhosa Marcele Cambeses. Ela é autora do livro Sinfonia, da Saga Destino Trocado. O livro teve muitas resenhas positivas até agora e até eu já adquiri meu exemplar com ela e estou louca pra começar a ler!

Se você quiser conhecer mais a autora e o trabalho dela, continue lendo a entrevista. Há muitas informações bacanas sobre o livro dela e seu processo criativo!

Quem é Marcele Cambeses?

MC: Intimamente, estou tentando descobrir na terapia (?) – risos. Nas descrições de matérias e sites, eu sou uma escritora amadora, carioca, de 23 anos, que fez um baita mimimi por 5 anos para concluir a faculdade de Direito. E que ama tanto os gatos e os clássicos ingleses que está apenas a uma solteirice e a algumas décadas de ser a “velha dos gatos”, com convicção.

“Velha dos gatos”, eu também serei uma! (risos) Quando que você se tornou uma escritora e como isso começou? Você sempre considerou ser uma escritora ou foi algo que aconteceu?

MC: Sempre gostei de escrever versinhos, músicas bobas, paródias e redações. Porém, foi apenas no vestibular que um surto criativo me tomou de assalto, para combater o estresse das maratonas de estudo, e acabou resultando em um livro: o Sinfonia, volume 1 da Destino Trocado. Com esse nome cabalístico, a DT veio realmente para mudar toda a minha trajetória. Isso porque, antes dela, eu era considerada alguém extremamente séria, fechada, e o meu maior sonho era cursar Direito para me tornar juíza. Precisei de um calhamaço para me dizer o “ô, minha querida, dá pra ver que você não se conhece nadinha, ou está difícil?”. Até hoje, sou reapresentada a mim mesma, dia a dia, através da vida que levo e daquelas que crio.

Sei que você publicou Sinfonia primeiro através de uma editora, e só depois partiu para uma publicação independente. Como foi esse processo?

MC: Na verdade, eu não cheguei a publicar o Sinfonia com a editora que o contratou. É que o nosso contrato foi firmado para realizar o que chamavam de “edição do autor”: a função deles era me ajudar a limpar o texto, revisar e diagramar, etc, apenas. Durante o processo, acabou surgindo junto a oportunidade de publicar com eles, também. E eu cheguei a cogitar a ideia. No entanto, como o preço final do exemplar não era compatível com o que eu imaginava, resolvi arcar eu mesma com os custos da produção para tentar baratear para o consumidor. Assumi os riscos sozinha.

Qual foi o melhor elogio que você já recebeu sobre seu livro?

MC: Nossa, essa pergunta é muito difícil. Porque, felizmente, os leitores que colecionei (sim, vocês são minhas preciosidades, aceitem!) ao longo dos anos costumam ser extremamente carinhosos quando falam do Sinfonia. E despertam o meu lado emotivo, o tempo todo! Adoro quando eles me dizem que o livro os fez refletir, mudar pontos de vista muito inflexíveis, entre outros pareceres que me fazem acreditar que consegui transmitir algo útil, de verdade; que as minhas palavras também têm o poder de transformar. Agora, preciso dizer que me foi uma honra ENORME, igualmente, quando dois sites que admiro muito fizeram resenhas lindas sobre a minha obra, inclusive tendo um deles a colocado no Top 4 dos melhores de 2013. Quase morri!

Qual a reação mais comum que você presencia quando falam ou conhecem seu livro?

MC: No plano normal, há aquela reação de sempre de as pessoas ficarem empolgadas para me contar o quanto riram, choraram ou se enfezaram com os personagens (e para me ameaçar de morte, caso não se concretize o casal por quem eles torcem). Mas, no plano particular do que é a Destino Trocado, o mais comum é virem me falar que não davam nadinha pelo Sinfonia por causa do preconceito que a estrutura narrativa despertava, e que acabaram se surpreendendo no final. Acho hilário que quase sempre usam aquela frase chavão do “as aparências enganam” para descrever para mim, como se eu fosse me espantar com essa reação ao livro. Amados, a estrutura não é à toa; é intencional, para confrontar julgamentos prévios, mesmo. Vocês não precisam ficar receosos de me contar sobre o que eu fiz por vontade própria – risos.

De onde nasce a sua inspiração para escrever?

MC: Do parafuso que me falta? Não sei! Acho que vem de tudo: da vida, da música, da necessidade de ver beleza no corriqueiro e transformá-lo em uma mensagem. A inspiração vem de todo lugar, e de nada também, não sei explicar mesmo. Já o impulso para seguir o rumo literário, tão cheio de adversidades, com certeza vem da minha vontade de reapresentar a realidade de uma maneira mais reflexiva e menos idealizada.

Aqui no blog eu fiz uma série de posts de “como organizar suas histórias”, mas essas eram as minhas dicas e de como eu faço. Como você organiza suas histórias?

MC: Essa pergunta deveria ser convertida em um “exponha aqui sua desordem”. E, se valesse pontos, eu seria reprovada! Fato. Bom, com o Sinfonia, eu falei antes que foi um surto. E foi mesmo! Ele ressoou na minha vida, e eu dancei, foi isso. Demorei anos para dar uma ajeitada, mas foi uma coisa natural. Não recomendo! Já com o projeto em que estou me concentrando no momento, estou tentando ser uma autora mais prudente. Fiz roteiros, estou envolvida numa pesquisa de campo, criei arquivos com história e descrição biográfica-psicológica dos personagens. Anotei até as metáforas principais que conduzem as partes reflexivas! Se não der certo quando eu voltar a pegar no batente, AjudaPandora, AjudaLuciano!

Ajudo sim! (risos) Você tem algum hábito de escritor?

MC: No geral, tenho hábitos musicais. Fico devaneando enquanto ouço música em transportes públicos (nada surpreendente que eu tenha parado de dirigir. A polícia não ia entender que bati o carro porque tive uma ideia!), ou ando pela casa feito uma galinha indecisa. Já aconteceu várias vezes de o meu irmão me ver perambulando em círculos e perguntar “que foi, Marcele mongol?”, ou a minha mãe interpretar mal a minha cara de concentração na atividade mental e achar que eu acordei depressiva – risos. Costumo associar as ideias e as músicas, como numa gaveta mental: sempre que ouço, relembro o que criei. É meio doido. Mas, no momento, tô achando a ideia da tequila interessante… Vamos tomar um shot? Haha.

Vamos, por favor! (risos) Qual o assunto ou gênero que você não tem domínio, mas que gostaria de escrever sobre?

MC: Eu tenho um projeto policial que exige muito conhecimento de Direito, Filosofia, Política e Psiquiatria etc. Ele é meu xodó, mas ainda não tenho qualquer domínio sobre as matérias envolvidas; não o bastante para escrevê-lo. Adoraria chegar lá antes de morrer.

Muitas pessoas estão optando pela autopublicação. Você acha que o mercado editorial está realmente crescendo ou é apenas algo temporário?

MC: Acho que está crescendo, tendo a internet como uma grande fomentadora do processo. Parece que o novo relacionamento autor-leitor que surgiu com o avanço das redes sociais serviu, de algum modo, como incentivo para alavancar a literatura nacional; tanto os autônomos e iniciantes, como as editoras tradicionais. E eu acho incrível! De verdade mesmo, gente: não tenham vergonha de entrar em contato com seus autores nacionais favoritos. A maioria das pessoas mais próximas e importantes da minha vida, hoje, eu só conheci (ou acabaram se aproximando de mim) por causa do meu livro. E sou eternamente grata por isso. Não pensem que, pro autor, o contato de vocês é um incômodo. Pois não é! É uma bênção, até mesmo uma oportunidade de fazer um novo amigo. Essa proximidade super gostosa, só os escritores da nossa própria terrinha vão poder oferecer. Pensem nisso e deem uma chance.

Que linda! E qual a sua mensagem para aqueles que desejam ser escritores e os que já estão no caminho?

MC: Reinvente-se e aprenda que escrever com alma não é uma coisa técnica, que vem só de escola; o sentimento por detrás de cada palavra é oriundo de uma intensa observação sobre a própria vida, na simplicidade de cada uma de suas facetas e desvios de rota. É isso que torna tudo palpável e cria conexão com o leitor. Não impressione, seja! Não imite, sinta! As formas podem ser subvertidas e recriadas; a essência, não.

Rapidinhas:

Se eu não fosse escritora, eu seria… Jurista. Não, pera, eu já sou. Que bosta!

Meu maior sonho é: poder olhar para trás e concluir que, apesar de tudo, eu evoluí como pessoa. E fui feliz, sem mais me render aos “padrões” da felicidade e sucesso. Do meu jeito.

Livro ou ebook? Ambos. O que importa não é o formato, é ter “pegada literária” (risos).

Para escrever: computador ou papel e caneta? Computador. A minha tendinite pode resultar em garranchos muito deprimentes. Deixo esse hobby de esnobar a caligrafia pros médicos.

Escrever é… Viver e aprender com várias vidas, possuindo uma só.

E para finalizar: onde posso encontrar Marcele Cambeses?

MC: Em casa, estudando para concurso público ou olhando pro teto. Mas vamos fingir que eu sou multifuncional e consigo gerir todas as minhas atividades ao mesmo tempo, está bem? Lá vai: se você é uma pessoa divônica e quer ler algum texto meu ou saber mais sobre os meus escritos (ou quer apenas me conhecer melhor para decidir se vai ou não fortificar uma macumba online do bem em minha homenagem), é possível me encontrar através do meu site (http://www.marcelecambeses.com.br). Nele, tem link para as minhas redes sociais e mais um bando de informação sobre mim. Aliás, por favorzinho, nunca jogue meu nome no Google, porque eu não tenho homônimas, então nem posso fingir que não fui eu que paguei qualquer mico aleatório que você encontrar. Ignorância é uma bênção, beijão.

E essa foi a entrevista de hoje!

Quem será o próximo?

Boa escrita para você!

Bio Gabs

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7 comentários sobre “Entrevista: Marcele Cambeses

  1. ai, gente, que lindaa! além de uma amiga querida, é ainda uma das minhas autoras favoritas (e olha que leio bastante! haha) <3

    "o sentimento por detrás de cada palavra é oriundo de uma intensa observação sobre a própria vida, na simplicidade de cada uma de suas facetas e desvios de rota." – e isso é notável nas melhores escritas, essa similitude com a realidade, e é o que a Celinda faz muito bem.

    Curtido por 1 pessoa

  2. Cara haha melhor entrevista ever da Cele. Vim ler pensando que eu já tava começando a conhecer a vida literária melhor do que ela, pq normalmente as perguntas são as mesmas e então as respostas não mudam muito.

    Mas essa ficou muito boa! Especialmente a hora que a Cele fala de mim quando ela me conheceu que eu sou especial e hahahaha não brimks

    Enfim, ameeeei <3

    Curtido por 1 pessoa

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